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Rápido avanço em juros por inflação é risco a emergentes com dívida alta, diz FMI

A economista Kristalina Georgieva, chefe do FMI, durante conversa com Chris Anderson, no TED2020 - Divulgação/TED
A economista Kristalina Georgieva, chefe do FMI, durante conversa com Chris Anderson, no TED2020 Imagem: Divulgação/TED

Gabriel Caldeira

São Paulo

05/10/2021 10h40Atualizada em 05/10/2021 14h06

Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva alertou que os impactos de um possível "rápido aumento dos juros" provocado por uma alta "sustentada" das expectativas inflacionárias seriam especialmente desafiadores a nações emergentes com altos níveis de dívida pública. Em discurso durante evento na Univerisade Bocconi, a dirigente afirmou que "muitos países já veem trajetória de crescimento nas expectativas inflacionárias".

Segundo ela, as perspectivas para a inflação global seguem "muito incertas", e preços de energia e de alimentos — que subiram 30% na comparação anual, de acordo com a líder do FMI - têm pressionado famílias mais pobres em todo o mundo.

Mesmo com sua preocupação quanto a inflação, Georgieva disse que o "obstáculo mais imediato" à recuperação global é a desigualdade na distribuição de vacinas contra a covid-19.

Segundo ela, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial perderia US$ 5,3 trilhões ao longo dos próximos cinco anos caso a imunização contra a doença não seja acelerada em países com pouco acesso aos produtos.

De acordo com ela, ainda é possível cumprir a meta estabelecida por órgãos multilaterais, como o FMI, de vacinar ao menos 40% da população global até o fim deste ano, e 70% até a metade de 2022. Mas para isso, são necessárias mais doses e US$ 20 bilhões em investimentos, segundo a diretora-gerente.

Georgieva também expressou preocupação com o nível de dívida pública global acumulado ao longo da crise do coronavírus. Segundo o FMI, a dívida de governos aumentou quase 100% do PIB mundial durante o período. A situação, de acordo com ela, é mais uma vez especialmente prejudicial a países emergentes.

"Muitos começaram a pandemia com pouco espaço fiscal, e agora têm ainda menos espaço em seus orçamentos - e uma capacidade muito limitada de emitir nova dívida em termos favoráveis", argumentou a dirigente.

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