IPCA
0,42 Fev.2024
Topo

FMI reduz projeção para o PIB global em 2023 e vê Alemanha e Reino Unido em recessão

Washington

11/04/2023 11h26

O Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou as suas projeções para o desempenho da economia global em 2023 e alertou para o risco de recessão na Alemanha e no Reino Unido, fora os efeitos da recente turbulência bancária. O organismo espera que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial desacelere para 2,8% neste ano, contra projeção anterior que indicava avanço de 2,9%, segundo o relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), publicado nesta terça-feira, 11, no âmbito das reuniões de Primavera do Fundo, as chamadas Spring Meetings.

"A economia global está novamente em um momento altamente incerto", avalia o FMI, citando os riscos acumulados da pandemia, a guerra na Ucrânia e o recente caos bancário, que levantou preocupações de estabilidade financeira. "Os riscos para as perspectivas são diretamente negativos", acrescenta.

No ano passado, a taxa de expansão global caiu quase pela metade, de 6,1% para 3,4%. Para 2024, o FMI também cortou a sua projeção em 0,1 ponto porcentual, para 3,0%.

Na visão do Fundo, há um "risco significativo" de que a recente turbulência do sistema bancário resulte em um aperto mais acentuado e persistente das condições financeiras globais do que o previsto na linha de base e em cenários alternativos plausíveis, o que poderia deteriorar ainda mais a confiança dos negócios e dos consumidores e, por sua vez, impactar a economia global.

Para o FMI, o PIB mundial deve manter baixo crescimento, de cerca de 3% nos próximos cinco anos, sua expectativa mais baixa em cerca de três décadas. Segundo a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, esse é o prognóstico "mais preocupante".

"Não nos dá grandes esperanças de atender às aspirações das pessoas, especialmente das pessoas pobres", disse a dirigente do órgão, na abertura das reuniões de Primavera do FMI, na segunda-feira, 10.

Quanto ao custo de vida, o Fundo espera que a inflação global caia de 8,7% em 2022 para 7,0% neste ano. A maioria das economias deve presenciar algum nível de desinflação em 2023, segundo o organismo.

Desaceleração e desemprego

Na revisão de suas projeções, o Fundo passou a prever que a Alemanha entre em recessão neste ano, ao cortar a expectativa para o PIB doméstico em 0,2 ponto porcentual, para uma queda de 0,1% frente a 2022. Já a projeção para o Reino Unido foi melhorada em 0,3 ponto porcentual, mas ainda assim a economia do país deve encolher em 0,3% em 2023.

A média de crescimento das economias avançadas estimada pelo FMI é de 1,3% neste exercício, melhora de 0,1 ponto porcentual frente à anterior. Já para 2024, o organismo manteve a expectativa de avanço de 1,4%. "Estima-se que cerca de 90% das economias avançadas tenham um declínio no crescimento em 2023", afirma o FMI, no relatório. A forte desaceleração deve resultar em um maior desemprego nas economias avançadas: um aumento de 0,5 ponto porcentual, em média, de 2022 a 2024, prevê o Fundo.

Na contramão da maioria dos países, o FMI melhorou a projeção para o crescimento dos Estados Unidos. O organismo espera que a maior economia do mundo cresça 1,6% neste ano, contra estimativa anterior de alta de 1,4%. Para 2024, o Fundo vê chances de avanço de 1,1%, 0,1 ponto porcentual a mais do que a estimativa anterior.

Algum ímpeto de crescimento virá dos países emergentes e em desenvolvimento. O Fundo estima expansão do PIB desse grupo de 3,9% neste ano, 0,1 ponto porcentual abaixo da estimativa divulgada em janeiro. Para o próximo ano, a expectativa ficou intacta, em 4,2% de alta.

Apesar da reabertura chinesa, o FMI não alterou o seu prognóstico para o país asiático. O organismo espera que o PIB da China avance 5,2% neste ano e 4,5% no próximo.

O grande destaque em termos de crescimento deve ser a Índia, apesar de o Fundo ter cortado suas projeções para o país. O FMI projeta incremento de 5,9% da economia indiana em 2023 contra 6,1% anteriormente. Para 2024, a estimativa passou para uma alta de 6,3%, ante 6,8%.