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Produção de arroz está no limite do consumo, diz IBGE; safra 2023 é a menor dos últimos 20 anos

Rio

13/04/2023 12h58

A produção brasileira de arroz descerá este ano ao menor patamar em mais de duas décadas. A estimativa é que o Brasil colha 9,846 milhões de toneladas do grão, menor produção desde 1998, quando foi de 7,7 milhões, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de março, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Nossa produção de arroz é a menor dos últimos 20 anos", segundo Carlos Alfredo Guedes, gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE. "A gente já está no limite do nosso consumo. Se cair um pouco mais, é possível que tenhamos que importar um pouco de arroz. O que não é muito grave, porque a gente tem o Uruguai aqui do lado, podemos importar do Uruguai."

A estimativa de produção de arroz foi reduzida em 1,8% em março ante o estimado em fevereiro. O País deve colher 7,6% menos arroz em comparação a 2022, uma perda de 812,0 mil toneladas.

A queda é resultado de uma combinação de problemas climáticos e de redução na área plantada com o grão. Segundo o IBGE, as perdas pela estiagem registrada no Rio Grande do Sul, que responde por mais de dois terços da produção nacional, influenciaram diretamente os números do País.

Houve, ainda, um enxugamento de 51,7% na área plantada com arroz ao longo de 20 anos, enquanto a produção caiu apenas 4,7%, em virtude do aumento no rendimento médio das lavouras.

"A produção menor de arroz acaba aumentando um pouco o preço do produto no mercado", alertou Guedes, lembrando que a população brasileira consome em torno de 10 milhões de toneladas de arroz por ano.

O feijão, que complementa o arroz no prato das famílias brasileiras, também teve sua estimativa de produção reduzida em 0,5% na passagem de fevereiro para março, 15.375 toneladas a menos. Os produtores devem colher 3,1 milhões de toneladas este ano, mesmo volume obtido em 2022. A produção estimada de feijão para 2023 deve atender ao consumo do País durante o ano, apontou o IBGE.

"O feijão tem aumentado um pouquinho de preços nos últimos meses", disse Guedes, lembrando que a produção estimada está praticamente em linha com o consumo doméstico, após vir perdendo área para o plantio de soja nos últimos anos. "É uma cultura que vem reduzindo também um pouco de área ao longo dos anos."

A 1ª safra de feijão foi estimada em 1,1 milhão de toneladas, com alta de 0,3% ante o estimado em fevereiro. A 2ª safra de feijão foi projetada em 1,3 milhão de toneladas, diminuição de 1,3% em relação a fevereiro. A 3ª safra de feijão está prevista em 642,8 mil toneladas, queda de 0,1% ante fevereiro.