Guardado garante que BC não será leniente com inflação e cita arrecadação como pilar de meta

A diretora de Assuntos Internacionais do Banco Central, Fernanda Guardado, disse que a autoridade monetária não será de forma alguma leniente com a inflação e que medidas de arrecadação são importantes para a meta fiscal. Em evento da XP Inc, em Brasília, ela disse que há três hipóteses para a desancoragem das projeções para a inflação ainda. Duas delas são estes pontos ligados ao trabalho do BC e ao pacote de receitas e a terceira, a resiliência da inflação global.

"O pacote de medidas de arrecadação é bastante importante para a execução das metas de primário que estão colocadas no novo arcabouço fiscal. Há uma determinação bastante grande do governo, em especial do ministro (da Fazenda, Fernando) Haddad, de seguir em frente e atingi-las. O que a gente percebe é que há certa mudança em torno da incerteza na parte fiscal. Tanto que retiramos do nosso balanço de risco a incerteza do desenho do arcabouço, ainda que não tenha sido completamente aprovado. Em termos de desenho, de impacto nas expectativas, já teve impacto. Foi muito importante para tirar cenários de cauda, cenários mais pessimistas em relação à política fiscal", observou.

A diretora comentou que o Copom ainda acompanha e monitora a incerteza que ainda existe entre os agentes em relação ao cumprimento das metas, e isso passa pelas medidas de arrecadação. "Tem um tempo para serem feitas, para serem discutidas no Congresso, então temos que observar ainda", disse.

Ela salientou que as projeções de resultado primário estão aquém das que estão colocadas no arcabouço fiscal e uma das hipóteses para isso é justamente a incerteza relacionada à arrecadação. "O futuro pode guardar o desenvolvimento positivo, a aprovação de todo o pacote, o atingimento dessas metas e isso deve ter impacto positivo sobre os ativos, sobre as expectativas, sobre as nossas projeções de inflação ou um desenvolvimento não tão positivo, que já está parcialmente incorporado", cogitou, adicionando, porém, que é algo que precisa ser conhecido para observar os impactos sobre a inflação.

"Essa incerteza é uma das hipóteses possíveis para essa desancoragem que a gente tem, pois o cenário fiscal é um input dentro do nosso processo decisório, mas somos apenas um espectador, estamos vendo como isso se materializa", afirmou Guardado.

A aprovação dessas medidas, de acordo com a diretora, deve ter impacto positivo na confiança das metas colocadas no arcabouço fiscal e potencialmente o poder de consolidar o trabalho que o BC já está fazendo.

A inflação global mais alta, persistente, é outra hipótese para desancoragem. Um terceiro ponto apresentado pela diretora é o de uma possível visão de leniência do BC à frente na convergência da inflação para a meta. "Essa hipótese cabe ao BC agir e mostrar que é bastante firme. Somos muito comprometidos na convergência da inflação para a meta de 3%. Estamos confiantes na nossa estratégia de política monetária e, por enquanto, os dados têm vindo em linha com o que a gente espera. O BC vai agir para garantir que não haja leniência de forma nenhuma porque este é o mandato do BC."