Conteúdo publicado há 9 meses

História vai mostrar que decisões do BC foram técnicas, afirma Campos Neto

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira, 17, que a autonomia da instituição - aprovada em lei no governo passado - é um processo cujos fundamentos vão sendo incorporados ao longo do tempo.

"Estamos passando pelo primeiro grande teste da autonomia, em um ambiente em que o País está polarizado. Vamos incorporando diretores novos, que às vezes têm vertentes de pensamento novas, que vão incorporando ao debate. Temos aprendido muito na parte de como fazer os debates e na comunicação", afirmou, em entrevista ao portal Poder 360.

Questionado sobre as críticas do governo Lula à atuação do BC ao longo deste ano, Campos Neto voltou a citar a polarização política no Brasil e reforçou que é necessário respeitar o resultado das urnas.

"Entrou um novo presidente que tem opiniões sobre juros. Mas a história vai mostrar ao longo do tempo que as decisões do BC foram técnicas. O BC parou de subir os juros muito perto das eleições. O resultado do que foi feito está aí", completou o presidente do BC.

Campos Neto disse ainda que em nenhum momento pensou em sair do BC, apesar das críticas até pessoais. "As decisões não são tomadas só pelo presidente. Se eu saísse do BC, estaria colocando em risco avanço institucional da autonomia", acrescentou.

No começo do mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por iniciar o ciclo de afrouxamento monetário com uma queda de 0,50 ponto porcentual dos juros básicos, para 13,25% ao ano, o que surpreendeu uma parte do mercado, que apostava majoritariamente em uma queda mais "parcimoniosa", de 0,25 ponto porcentual.

O colegiado sinalizou ainda a manutenção do ritmo de cortes nas próximas reuniões.

Abertura para discussões

O presidente do Banco Central repetiu que teve até o momento apenas uma conversa com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ainda no ano passado, antes da posse presidencial.

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"Estou sempre aberto para discutir com o presidente ou qualquer membro do governo a qualquer momento. Converso muito mais com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas estou sempre aberto", afirmou Campos Neto.

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