Bolsas de NY fecham em baixa, pressionadas por falas de Powell

As bolsas de Nova York fecharam em baixa nesta quinta-feira, 9, em uma sessão na qual foram pressionadas por declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O presidente da autoridade, Jerome Powell, argumentou que a economia dos Estados Unidos segue forte, e sugeriu que a resiliência da atividade no país pode levar a um maior aperto monetário. Como resultado, o S&P 500 teve sua sequência de altas interrompida, logo quando esteve prestes a completar um número de altas consecutivas não visto desde 2004.

O Dow Jones fechou em baixa de 0,65%, em 33.891,94 pontos, o S&P 500 teve baixa de 0,81%, a 4.347,35 pontos, e o Nasdaq caiu 0,94%, a 13.521,45 pontos.

Powell reafirmou nesta quinta a postura cautelosa da instituição no atual contexto, para garantir que a inflação retorne à meta de 2%. Ele enfatizou que o Fed adotará suas decisões reunião a reunião, com foco nos indicadores e no quadro geral. Um crescimento mais forte que o esperado, porém, poderia minar o progresso para ajustar o mercado de trabalho e conter a inflação, "o que poderia exigir uma resposta da política monetária".

Além disso, a presidente interina do Fed de St. Louis, Kathleen Paese, não descartou nova alta de juros, se necessário, e considerou que a política monetária ainda não está apertada em demasia.

Já os presidentes de distritais do Fed, Raphael Bostic (Atlanta), Thomas Barkin (Richmond), e Austan Goolsbee (Chicago) soaram mais amenos. Bostic disse que a política monetária provavelmente já está suficientemente restritiva. Barkin, por sua vez, falou que os efeitos dos apertos de juros anteriores ainda não foram inteiramente sentidos na economia. Goolsbee afirmou que o BC precisará se atentar aos efeitos da alta nos juros dos Treasuries de longo prazo para não correr o risco de fazer demais.

"As 'hawks' e os 'doves' continuarão batalhando", afirmou o BBH em relatório. "Mas, na realidade, é aos dados que os mercados precisam olhar", opinou. O banco alerta, entretanto, que a economia americana continua crescendo acima da tendência, mesmo com o resto do globo entrando em recessão, de modo que o Fed não conseguirá cortar juros tão cedo quanto o mercado está precificando.

Na temporada de balanços, que vai chegando ao final, a Walt Disney subiu 6,86% após divulgar seus números após o fechamento do mercado na quarta-feira.

Segundo João Rômulo, sócio da Arbor Capital, cerca de 60% dos resultados vieram acima do esperado pelos analistas, enquanto apenas 8% ficaram abaixo do projetado. Entre os setores, informação e tecnologia foi o mais destacado pelo performance mais forte que a prevista, enquanto o segmento de energia foi um dos principais com desempenhos inferiores. "Os lucros ficaram cerca de 7% acima do esperado, o que sinaliza uma boa performance", analisa.

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