Crescimento mais forte pode minar progresso contra inflação e exigiria resposta, diz Powell

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, reafirmou nesta quinta-feira, 9, a postura cautelosa da instituição no atual contexto, para garantir que a inflação retorne à meta de 2%. Ele enfatizou que o Fed adotará suas decisões reunião a reunião, com foco nos indicadores e no quadro geral, e lembrou que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos deve desacelerar nos próximos trimestre. Um crescimento mais forte que o esperado, porém, poderia minar o progresso para ajustar o mercado de trabalho e conter a inflação, "o que poderia exigir uma resposta da política monetária".

Powell discursou em painel da Conferência de Pesquisa Anual Jacques Polak, do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington. Ele disse que há progresso na luta contra a inflação, mas acrescentou que esse progresso até levá-la à meta "tem um longo caminho pela frente". O mercado de trabalho, por sua vez, segue apertado, embora melhoras na oferta de trabalho e um gradual relaxamento na demanda continuem a levar a um melhor equilíbrio.

Segundo Powell, o avanço do PIB no terceiro trimestre "foi muito forte", mas a maioria das previsões é de perda de fôlego nos próximos trimestres. O dirigente afirmou que o Fed está comprometido com uma política monetária "restritiva o suficiente" para levar a inflação à meta com o tempo. "Nós não estamos confiantes de que tenhamos atingido essa postura", advertiu. A intenção é continuar a atuar de modo cuidadoso, a fim de não correr o risco de "ser enganado por alguns bons meses de dados", bem como pelo risco de apertar em demasia a política.

Powell considerou que a política monetária já está em "território restritivo", colocando pressão de baixa na demanda e na inflação. Ele defendeu que a postura do Fed consiga evitar que as expectativas de mais longo prazo da inflação sejam afetadas.

O presidente do Fed ainda informou que a instituição começará no segundo semestre de 2024 sua revisão realizada a cada cinco anos da estratégia na política monetária. Os resultados devem ser revelados "cerca de um ano depois", acrescentou.

Powell chegou a ser interrompido em seu discurso, por ao menos um manifestante que tentava chamar a atenção para as mudanças climáticas. A transmissão foi interrompida por alguns minutos, o manifestante foi retirado, e o presidente do Fed retomou sua fala, também veiculada no site da instituição.

Moderador do painel, o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Oliver Gourinchas, citou brevemente a importância do tema alvo do protesto, mas acrescentou que a intenção ali era se restringir à pauta em discussão, no evento intitulado "Desafios da política monetária em uma economia global".

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