Ibovespa encerra um pouco abaixo dos 125 mil pontos e avança 10,28% no mês

Na transição da primeira para a segunda quinzena do mês, o Ibovespa encadeou três ganhos diários até esta sexta-feira, encerrando a semana com avanço de 3,49% no acumulado dessas quatro sessões, separadas pelo feriado do dia 15. Foi também a quarta alta semanal seguida, vindo o índice da B3 de ganhos de 2,04%, 4,29% e 0,13% nos intervalos precedentes. Assim, no azul entre as duas últimas semanas de outubro e as duas primeiras de novembro, o Ibovespa, no agregado desde o dia 1º, avança 10,28% no mês e, em 2023, sobe agora 13,70%.

Nesta sexta-feira, com o vencimento de opções sobre ações, o giro financeiro foi a R$ 27,9 bilhões na sessão - volume que já havia sido reforçado ontem pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.

Após o tombo das cotações da commodity no dia anterior - correção que tinha colocado o petróleo nos menores níveis desde julho -, a retomada dos preços do Brent e do WTI, de 4% na sessão, lançou as ações da Petrobras (ON +4,22%, PN +3,26%) ao topo da carteira do índice nesta sexta-feira. Tal movimento foi decisivo para recolocar o Ibovespa na linha de 125 mil pontos em boa parte da sessão, mas não no fechamento, em que o índice perdeu força. Em encerramento, o nível dos 125 mil continua a não ser visto desde 29 de julho de 2021, então aos 125.675,33.

"Petrobras deu a maior contribuição para o Ibovespa ter testado hoje esse nível, ainda que Vale e alguns bancos tenham se destacado também na sessão. Com o ganho que se vê agora em novembro, na casa de 10%, o Ibovespa está a caminho de seu melhor desempenho desde novembro de 2020, há três anos", diz Felipe Leão, especialista da Valor Investimentos. Desde novembro de 2020, quando acumulou alta de 15,90%, o Ibovespa não tem um ganho mensal de dois dígitos.

Hoje, o índice fechou em leve alta de 0,11%, aos 124.773,21 pontos, entre mínima de 124.546,59 e máxima de 125.431,07 pontos (+0,64%), saindo de abertura aos 124.639,24 pontos. A aceleração de ganhos no Ibovespa, na passagem da primeira para a segunda metade de novembro - tendo avançado cerca de 4,2 mil pontos desde o fechamento do dia 10, então aos 120,5 mil, e com apenas uma leve perda no caminho, de 0,13%, em 13 de novembro - parece antecipar um dos "efeitos calendário" sempre lembrados, quer se acredite nele ou não: o rali de fim de ano.

De acordo com levantamento da Equus Capital, de 2010 a 2022, em 54% desses anos o rendimento do Ibovespa em dezembro superou a média dos meses anteriores. Segundo a casa, quando se estende o horizonte de tempo, o efeito fica ainda mais visível: no intervalo de 2000 a 2022, em 65% do trecho correspondente a esses anos, o mês de dezembro apresentou rendimento superior à média anual.

Na avaliação da Equus Capital, a antecipação do movimento - que costuma aparecer apenas no fim de novembro - sugere dinâmica possivelmente influenciada pelos sinais de arrefecimento da inflação nos Estados Unidos, o que favorece o apetite por ativos de risco.

Perspectiva mais propícia quanto à inflação também é observável no quadro doméstico. O otimismo com a desinflação prevista para 2024 predominou nas reuniões do Banco Central, hoje, com economistas do mercado. Os analistas que participaram esperam continuidade na melhora qualitativa da inflação e preveem que os preços de serviços sigam em desaceleração ao longo do próximo ano, reportam os jornalistas Marianna Gualter e Cícero Cotrim, do Broadcast.

"Houve um tom bem otimista da maioria dos participantes", disse um economista presente ao encontro, fechado à imprensa, em relato ao Broadcast. "Os colegas tinham projeções de inflação de 3,5%, 3,4% e até 3,2%, em uma leitura boa da economia, principalmente no que diz respeito à política monetária."

Dessa forma, a discussão, aqui e no exterior, quanto à extensão do ciclo de aumento dos custos de crédito a cargo das autoridades monetárias em todo o mundo começa a dar lugar ao momento em que os principais BCs, como o Federal Reserve, começarão a cortar as taxas de juros de referência - movimento que, na percepção do mercado, tem sido antecipado do segundo para o primeiro semestre do próximo ano.

"Com os dados recentes, os juros futuros ao redor do mundo têm caído rapidamente. O yield dos títulos de 10 anos nos EUA chegou a operar abaixo de 4,4% nesta manhã", aponta em nota a Guide Investimentos.

"Os dados de inflação nos EUA têm surpreendido com números mais fracos, desde o CPI preços ao consumidor na terça-feira, passando pelo PPI preços ao produtor na quarta-feira e os preços de bens importados e exportados, que saíram ontem", acrescenta a Guide, observando que tal "cenário reforça a tese de que o Federal Reserve e outros BCs de grandes economias" podem já ter encerrado o ciclo de elevação dos juros de referência.

No que diz respeito ao Brasil, a percepção do mercado, hoje, foi a de que a fraca leitura do índice de atividade IBC-Br, considerado uma 'proxy' para o PIB, contribui para que se revise a expectativa para a economia no terceiro trimestre, o que reforça a chance de que o Copom terá espaço, possivelmente antes do que se previa, para iniciar os cortes da Selic.

O IBC-Br divulgado nesta manhã trouxe queda de 0,06% em setembro, na margem, com ajuste sazonal: dessa forma, o carrego estatístico para o quarto trimestre está em -0,3%, observa Rafael Perez, economista na Suno Research. "A economia brasileira mostrou sinais mais claros de desaceleração entre julho e setembro, tendo em vista os efeitos cumulativos dos juros elevados, o alto endividamento das famílias, o cenário externo turbulento e a base de comparação elevada do primeiro semestre", acrescenta o economista, em nota.

Na ponta do Ibovespa nesta última sessão da semana, destaque, além de Petrobras, para PetroRecôncavo (+3,36%), Azul (+3,00%) e 3R Petroleum (+2,87%). No lado oposto, Raízen (-5,56%), CVC (-4,31%) e Carrefour Brasil (-3,87%). Santander Brasil fechou na mínima da sessão (-3,13%), em dia misto para os grandes bancos, com Itaú (PN +0,46%) e BB (ON +0,76%) mostrando ganhos no fechamento. Vale ON subiu 0,19%.

"Tivemos um dia de agenda mais vazia, nada que impactasse muito diretamente o mercado, e mesmo assim o Ibovespa vem em renovações de máximas do ano, hoje chegando aos 125 mil pontos durante a sessão", diz Rafael Schmidt, sócio da One Investimentos. Ele observa que a alta do Ibovespa, mesmo em dia de avanço também do dólar, sugere um movimento de rotação de ativos, não de ingresso de fluxo novo em recursos estrangeiros. No fechamento desta sexta-feira, o dólar à vista mostrava alta de 0,74%, a R$ 4,9059, na máxima do dia.

O quadro das expectativas do mercado para as ações no curtíssimo prazo manteve-se relativamente inalterado no Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. Entre os participantes, a previsão de alta (50,00%) para o Ibovespa na próxima semana continua majoritária em relação às projeções de estabilidade (33,3%) e de queda (16,67%). Na pesquisa anterior, 57,1% afirmaram esperar valorização do Ibovespa nesta semana; 28,57%, variação neutra; e 14,29%, baixa.