Alta de Bradesco contribui para avanço do Ibovespa, aos 126,5 mil pontos

A bem recebida troca de comando no Bradesco, com a substituição de Octavio de Lazari por Marcelo Noronha na presidência, colocou as ações do banco em lugar de destaque entre as de maior peso e liquidez da carteira Ibovespa nesta quinta-feira de Ação de Graças nos Estados Unidos, sem negócios em Nova York. O desempenho foi decisivo para que o índice conservasse a linha de 126 mil pontos pelo segundo dia, agora no maior nível desde 15 de julho de 2021 - naquela data, perto dos 127,5 mil.

Embora tenha mostrado acomodação no fechamento, a ação preferencial do segundo maior banco privado do país encerrou em alta de 2,67% e a ON, de 1,87%. O dia foi positivo também para Eletrobras (ON +2,05%, PNB +1,96%), mas negativo para as grandes ações de commodities até bem perto do encerramento, quando Petrobras obteve ganho na ON (+0,45%, máxima do dia) e na PN (+0,03%). Vale (ON -0,63%) e as siderúrgicas, por sua vez, sustentaram baixa, com Usiminas (PNA -1,65%) à frente.

Em dia desfavorável às cotações do petróleo, ainda reagindo a adiamento de reunião da Opep+, interpretado por parte do mercado como falta de unidade do cartel em torno dos níveis de produção e oferta da commodity, o desempenho cauteloso de Petrobras, apesar da melhora no fim da sessão, refletiu a expectativa para o anúncio do plano estratégico da empresa para o período 2024-2028.

"O principal ponto de discussão no mercado tem sido o tamanho do Capex - despesa de capital, ou seja, quanto a empresa gasta para manter ou aprimorar sua operação, geralmente em ativos fixos, como equipamentos e propriedades. Caso venha acima do esperado, pode impactar negativamente o preço das ações da Petrobras", diz Júlia Aquino, analista da Rico Investimentos.

Assim, em sessão de liquidez reduzida pelo feriado nos Estados Unidos, o Ibovespa operou hoje na faixa de 125.763,78 a 126.759,88 pontos, e encerrou em alta de 0,43%, a 126.575,75 pontos, com giro a R$ 14,9 bilhões na sessão. Na semana, o índice da B3 avança 1,44% e, no mês, 11,87%, colocando o ganho do ano a 15,35%.

Na ponta ganhadora do Ibovespa nesta quinta-feira, destaque para CVC (+6,56%), Assaí (+4,86%), Magazine Luiza (+4,33%) e JBS (+3,16%). No canto oposto, CSN Mineração (-6,68%), Cemig (-3,17%), Alpargatas (-2,87%) e Gol (-1,80%).

"A saída do Lazari para o Conselho de Administração e a chegada do Noronha para a presidência foram bem recebidas pelo mercado, na medida em que se espera que a nova governança seja mais assertiva nas métricas de ancoragem de risco e concessão de crédito, que penalizaram tanto os lucros dos bancos nos últimos tempos. Leitura do mercado foi positiva, após as dificuldades operacionais que o Bradesco encontrou nos últimos trimestres", diz Eduardo Siqueira, analista da Guide Investimentos.

Eventual mudança na presidência do Bradesco não estava totalmente fora do radar dos investidores, mas se esperava que viria um pouco mais adiante, possivelmente no início do próximo ano, tendo em vista a pressão em torno do desempenho do banco.

Enquanto o principal concorrente do Bradesco, o Itaú, tem conseguido entregar ROE de 20%, a mesma métrica de rentabilidade do Bradesco está em 11%, observa uma fonte. No varejo, o grande desafio dos bancões está na digitalização dos negócios e no custo de manutenção da tradicional estrutura física de agências - recentemente, a divulgação do elevado contingente de profissionais associados à tecnologia no Itaú chamou atenção.

"Mudar a trajetória de um navio de cruzeiro não é nada fácil. Houve frustração quanto a entrega de resultados e o mercado sabe bem quanto um banco do porte do Bradesco pode entregar. A troca foi vista de forma favorável, mas o mercado espera sempre resultado. Se não vier, a alta que se vê hoje será algo como uma cobertura de 'short' cobertura de posições vendidas no papel do que propriamente compra efetiva", diz Cesar Mikail, gestor de renda variável da Western Asset.

No quadro mais amplo, a retomada do Ibovespa continua a ser guiada pela recuperação do fluxo de ingresso de recursos estrangeiros na B3, em meio à distensão em torno do nível das taxas de juros nos EUA. Com a expectativa de que o ciclo de elevação dos custos de crédito pelo Federal Reserve tenha já chegado ao topo, e que os cortes da taxa de juros por lá devam vir na passagem do primeiro para o segundo semestre de 2024, o apetite por emergentes volta a aparecer, especialmente onde os ativos mostram descontos, como no Brasil - considerando também o índice amplo de Nova York (S&P 500) perto dos 4,6 mil pontos, não muito distante do pico histórico.

"O gringo está comprando Brasil de novo. De acordo com os mais recentes dados disponíveis, até o dia 21, foram 17 pregões seguidos de entrada líquida de recursos estrangeiros. No mês, o 'inflow' gringo está em cerca de R$ 20 bilhões na B3", observa Mikail.

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