Risco político e NY moderada puxam queda do Ibovespa

A cautela fiscal interna e a sexta-feira de pregão encurtado em Nova York empurram o Ibovespa para baixo. O sentimento parcimonioso atinge quase toda a carteira. Só sete ações subiam, de um total de 86, por volta das 11 horas.

A queda ocorre após duas sessões seguidas de alta. Ainda assim, o principal indicador da B3 caminha para uma quinta semana seguida de valorização. Ontem, fechou com elevação de 0,43% (126.575,75 pontos). Às 11h29, subia 0,77% na semana.

Nos últimas sessões, recorda Luan Alves, analista chefe da VG Research, as bolsas já demonstravam certo "cansaço", depois de ganhos recentes. "Nos últimos três pregões, os mercados de ações dos Estados Unidos andaram um pouco mais de lado, enquanto o Ibovespa acabou descolando. Agora, há uma certa realização de lucros", afirma.

Em dia de agenda esvaziada e expectativa de liquidez baixa, os investidores acompanharam mais cedo as explicações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em São Paulo, após o veto do presidente Lula à desoneração da folha de pagamento. Ao mesmo tempo, avaliam o Plano Estratégico 2024-2028 da Petrobrás.

"O veto à desoneração acaba elevando o debate político. Além disso, tem toda uma discussão em torno da Petrobras, com o governo incomodado com a atual administração", diz Alves, da VG Reserarch, ao sugerir que esses temas acabam por estimular uma queda do Ibovespa. "Estamos numa janela de final de mês, e o investidor tenta preservar o que já conquistou."

O giro financeiro que já foi moderado ontem na B3 por conta do fechamento das bolsas americanas em razão do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, tende a continuar minguada. Hoje, os mercados norte-americanos funcionam, mas em horário reduzido.

"Não vejo grandes notícias, os mercados nos Estados Unidos funcionam parcialmente e é sexta-feira. Realiza", diz a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

Ontem, a Petrobras divulgou seu Plano Estratégico 2024-2028, que projeta investimentos de US$ 102 bilhões - quase 31% acima do anterior. Contudo, o descontentamento do governo com a atual gestão da empresa e a instabilidade nas cotações do petróleo no exterior estão no radar.

O minério de ferro, por sua vez, subiu 0,61% em Dalian, na China, mas as ações da Vale recuam, depois de ganhos recentes.

Também ontem, o presidente Lula vetou de forma integral a vigência da política de desoneração da folha de pagamentos de 17 setores econômicos. Há pouco, Haddad disse, na capital paulista, que o veto foi com respaldo em pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e da Advocacia-Geral da União.

Contudo, a decisão do governo em barrar essa política gera desconforto em algumas ações de empresas envolvidas na proposta na B3.

"Os mercados digerem toda a pressão da pauta fiscal no Brasil. Talvez a história em relação ao veto à desoneração da folha de pagamento não tenha se encerrado com essa decisão, sabemos que tem bastante pressão dos setores em relação a essa matéria", avalia Camila, da Veedha.

A economista-chefe da B. Side Investimentos, Helena Veronese, vai na mesma direção. "O mercado ainda está questionando se de fato o veto à desoneração acaba por aí. Está na dúvida", avalia.

Conforme Helena, a decisão do governo em vetar o projeto é bem vista do ponto de vista fiscal, mas ruim do lado político, dado que pode travar pautas importantes do governo no Congresso.

Ainda, o economista Álvaro Bandeira ressalta que o risco fiscal no Brasil pode ser ampliado ainda com todas as discussões sobre os precatórios, em meio à crise entre os Poderes. Ele lembra dos ruídos renovados entre o Legislativo e o Judiciário após as recentes decisões. Nesta semana, por exemplo, foi aprovada a PEC no Senado que limita os poderes de ministros da Corte.

Às 11h25, o Ibovespa caía 0,66%, aos 125.741,01 pontos, ante mínima aos 125.622,87 pontos (-0,75%), depois da máxima aos 126.552,58 pontos (-0,02%), mesmo nível da abertura. Vale caia 0,38% e Petrobras perdia 0,06% (PN) e -0,03% (ON).

O grupo das maiores quedas era puxado por ações ligadas ao ciclo econômico, caso de Casas Bahia (-5,17%), Grupo Soma (-3,81%) e Magazine Luiza (-4,61%). Em Nova York, os índices futuros operavam perto da estabilidade, após o feriado ontem de Ação de Graças.

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