Ibovespa retorna a 128 mil pontos no início de dezembro e sobe 2,13% na semana

O Ibovespa iniciou dezembro como encerrou novembro, em alta, ainda amparado pela expectativa de custos de crédito em baixa no ano que está para chegar, ante os sinais de moderação da atividade econômica nos Estados Unidos, como nos PMIs desta sexta-feira, e de que a inflação, embora ainda fora da meta, tem se arrefecido. Com olhar nas declarações desta tarde dos presidentes dos BCs americano (Jerome Powell) e brasileiro (Roberto Campos Neto), o Ibovespa se firmou em alta e, nos melhores momentos, tocou e sustentou os 128 mil pontos, o que se estendeu ao fechamento.

Hoje, saiu de abertura a 127.331,12 pontos e, na mínima, escorregou para os 126.655,67 pontos - no fechamento, na máxima, foi a 128.184,91 pontos, em alta de 0,67%. Com giro financeiro fortalecido como ontem - hoje um pouco abaixo, a R$ 26,8 bilhões -, o índice da B3 encerrou a sessão no maior nível desde 14 de julho de 2021. Após ter concluído novembro com ganho de 12,54%, o maior em três anos, o Ibovespa avançou 2,13% no agregado das últimas cinco sessões, estendendo a série vencedora pela sexta semana - iniciada em outubro, no intervalo a partir do dia 23.

Assim, o Ibovespa mantém a melhor sequência desde os nove avanços semanais consecutivos, entre 24 de abril e 23 de junho deste ano, intervalo no qual havia escalado 14,6 mil pontos. Agora, em nível mais alto do que naquele período, a recuperação chega a 15 mil pontos em tempo menor, o que pode animar os investidores quanto a um rali de fim de ano, iniciado um pouco mais cedo.

Dessa forma, o Ibovespa deu mais um passo de reaproximação à máxima histórica de fechamento, de 7 de junho de 2021, quando foi aos 130.776,27 pontos naquele encerramento. No intradia, a maior marca é da mesma sessão, há quase dois anos e meio, quando o Ibovespa chegou a 131.190,30 pontos.

O Banco Inter estima que o Ibovespa alcançará 142 mil pontos no final de 2024, com a expectativa de "tempos melhores" para a Bolsa no ano que vem. Entre os fatores que tendem a colaborar para este cenário estão a percepção de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed) no próximo ano e de continuidade de recuo da Selic no Brasil, a depender dos avanços fiscais, reportam as jornalistas Maria Regina Silva e Caroline Aragaki, do Broadcast.

"Dados de inflação mais recentes têm mostrado queda na pressão de preços pelo lado da demanda: números mais consistentes em linha com a moderação da atividade nesta reta final de 2023, conforme se viu também em informações como as do Livre Bege desta semana, nos Estados Unidos, que reforçam a percepção de que os BCs não mais precisarão elevar os juros, e poderão cortá-los em 2024", diz Felipe Leão, especialista da Valor Investimentos.

Dessa forma, o otimismo do mercado financeiro sobre o desempenho das ações no curtíssimo prazo também disparou no Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. Entre os participantes, a expectativa de alta para o Ibovespa na próxima semana acelerou de 33,33% na pesquisa da semana passada para 71,43%, enquanto, no sentido contrário, as projeções de baixa, que também eram de 33,33%, caíram para 14,29%. A percepção de variação neutra, do mesmo modo, recuou de 33,33% para 14,29%.

Nesta sexta-feira, após indecisão até o começo da tarde, os índices de Nova York se firmaram em direção única, positiva, com destaque para Dow Jones (+0,82%) no fechamento, estabilização que contribuiu para que o Ibovespa segurasse o sinal e ampliasse ganhos no meio da tarde, em dia negativo para o petróleo.

Com perdas acima de 2% para a commodity, Petrobras ON e PN encerraram o dia em baixa de 1,33% e de 0,67%. Os grandes bancos mostraram desempenho misto no fechamento, com Santander (Unit -1,06%) e Itaú (PN -0,22%) em baixa, e leve alta para Bradesco (ON +0,56%, PN +0,31%) e BB (ON +0,20%). No lado ganhador, Vale ON, a ação de maior peso individual no Ibovespa, subiu hoje 1,86%, em dia forte também para outros nomes do setor metálico, como CSN (ON +4,51%) e Usiminas (PNA +4,58%), com a alta perto de 2% para o minério de ferro na China (Dalian), a US$ 139,69 por tonelada no contrato futuro mais negociado, para janeiro de 2024.

Na ponta vencedora do Ibovespa na sessão, Cielo (+7,96%), Magazine Luiza (+7,43%) e Soma (+7,37%). No lado oposto, Klabin (-6,25%), Braskem (-5,85%) e Suzano (-3,76%).

Em discurso nesta sexta-feira, o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, reiterou que a instituição está comprometida para que a inflação retorne à meta de 2%, mantendo a política monetária em nível restritivo até se ter a confiança de que os índices de preços estão a caminho de atingir a meta.

Ele ponderou que o Fed está agora em posição para agir com cautela daqui para frente, após a rápida escalada de juros a partir de 2022. Na avaliação de Powell, no momento, estão "mais equilibrados" os riscos entre aperto exagerado e arrocho insuficiente. Ainda assim, ressalvou que seria "prematuro" concluir, em definitivo, que a política monetária atingiu nível suficientemente restritivo. E acrescentou ser cedo para "especular" sobre quando o Fed poderá começar a cortar os juros.

"O fato de o discurso de Powell não ter trazido novo tom, mais 'hawkish', contribuiu para consolidar expectativas de que os juros básicos não devem mais subir na maior economia do mundo - ao menos por ora. Assim, mesmo sem sinalizar queda adiante, a fala alimentou o apetite por risco, observado nas últimas semanas", destaca Rachel de Sá, chefe de Economia da Rico Investimentos.

Aqui, falando em paralelo a Powell no exterior, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que, com as variáveis como estão hoje, não há como dar um guidance (indicação) de qual será a taxa Selic terminal - mas que entende que será restritiva. Campos Neto defendeu que o ritmo de cortes de 0,50 ponto porcentual segue apropriado diante do comportamento da inflação corrente, do hiato da atividade e das expectativas de inflação. "Com as variáveis que temos na mão, ainda precisamos de juro em campo restritivo", disse em almoço anual da Febrabran, em São Paulo.

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