Petróleo fecha em alta com tensão no Mar Vermelho, mas Brent não sustenta patamar de US$ 80

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta, prosseguindo a recuperação nos preços que é apoiada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Durante o pregão, o Brent chegou a retomar o nível de US$ 80 o barril, mas o ímpeto foi perdido ao fim do dia. A questão principal no momento é o Mar Vermelho, com os ataques da milícia iemenita Houthi a navios na região levando riscos ao transporte pelo Canal de Suez e fazendo com que embarcações alterem suas rotas neste importante ponto da geografia marítima global, ameaçando a oferta. Por outro lado, a sessão contou com uma alta acima do esperado nos estoques da commodity nos Estados Unidos, sugerindo menor demanda.

Na New York Mercantile Exchange, o WTI para fevereiro fechou em alta de 0,38% (US$ 0,28), a US$ 74,22 o barril. Na Intercontinental Exchange (ICE), o Brent para o mesmo mês subiu 0,59% (US$ 0,47), a US$ 79,70 por barril.

O analista da Oanda Craig Erlam aponta que os preços do petróleo continuam a se recuperar, com o risco de perturbações no Mar Vermelho a contribuindo "potencialmente para o salto que temos visto recentemente". Segundo o Rabobank, "até agora, o impacto sobre a oferta de petróleo parece ter sido limitado, embora o mercado continue a monitorar a situação".

Os EUA emitiram uma carta coletiva assinada junto de representantes da União Europeia, Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e de um grupo de 44 países, em que condenam a interferência Houthi nas navegações na Península Arábica, principalmente no Mar Vermelho. O texto afirma que os ataques recentes a embarcações ameaçam o comércio internacional e a segurança marítima. A carta pede que nenhum país se abstenha ou encoraje a atitude dos Houthis.

Dito isto, "a resposta inicial foi bastante moderada, o que sugere que existem outros fatores em jogo, avalia Erlam. O Brent e o WTI estão se recuperando de mínimas semelhantes observados no início deste ano, o que representa uma queda significativa em relação a apenas alguns meses atrás - com uma tombo 20% do pico às mínimas, aponta o analista. 'E com os mercados a fixarem agora tantos cortes nas taxas, isso poderá impulsionar a economia global no próximo ano e, por extensão, a procura por petróleo", conclui.

Já os estoques de petróleo nos EUA tiveram alta de 2,909 milhões de barris, a 443,682 milhões de barris, na semana encerrada em 08 de dezembro, informou nesta quarta-feira o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) do país. Analistas consultados pelo Wall Street Journal esperavam queda de 2,5 milhões de barris.

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