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Previsão do Focus de alta do IPCA 2024 passa de 3,90% para 3,87%; 2025 segue em 3,50%

A expectativa para a inflação de 2024 caiu no Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 15. A projeção passou de 3,90% para 3,87%. Um mês antes, a mediana era de 3,93%. Para 2025, que também está no foco da política monetária, a projeção seguiu em 3,50%, pela 25ª semana seguida.

Considerando as 68 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana para 2024 passou de 3,83% para 3,85%. Para 2025, por sua vez, a projeção de alta é de 3,50%, considerando 65 atualizações no período.

Para 2026, a projeção continuou em 3,50% pela 28ª semana consecutiva - o que evidencia a reancoragem apenas parcial destacada pelo BC após a manutenção da meta de inflação em 3,0% para os próximos anos. No horizonte mais longo, de 2027, a estimativa também seguiu em 3,50%, como já está há 28 semanas.

As estimativas do Relatório de Mercado Focus continuam acima do centro da meta para a inflação, de 3,00%. Na semana passada, o IBGE divulgou que o IPCA de 2023 ficou em 4,62%, abaixo do teto da meta (4,75%, para um centro de 3,25% no ano passado), evitando o estouro do objetivo a ser perseguido pelo BC pelo terceiro ano consecutivo, depois de 2021 e 2022.

O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou em dezembro projeção de 3,5% para o IPCA de 2024, abaixo dos 3,6% da reunião anterior, de novembro. Para 2025, seguiu em 3,2%. O colegiado reduziu a Selic pela quarta vez consecutiva em 0,50 pp, para 11,75% ao ano.

Projeção suavizada

Os economistas do mercado financeiro reduziram levemente a expectativa para a inflação suavizada para os próximos 12 meses no Relatório de Mercado Focus desta semana, que oscilou de 3,88% para 3,87%, de 3,90% há um mês.

Em junho do ano passado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou ao Conselho Monetário Nacional (CMN) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá editar decreto estabelecendo uma meta contínua de inflação a partir de 2025, em substituição à atual meta-calendário.

No dia 20 de outubro, porém, Haddad confirmou que não havia previsão para publicar o decreto que regulamenta a meta de inflação contínua. "Até aqui, não (há previsão de publicar o decreto). Consultas estão sendo feitas pela Secretaria de Política Econômica da Fazenda. Mas nós temos tempo, e provavelmente até o final do ano nós vamos ter notícias", disse o ministro, em São Paulo.

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O secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, já disse ao Estadão/Broadcast que a SPE já terminou a pesquisa sobre as experiências internacionais, mas que ainda não houve apresentação para o restante da equipe econômica nem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável por editar o decreto.

Segundo o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, uma maior autonomia requer maior prestação de contas, mas a autoridade monetária não antecipa nenhuma mudança na política monetária em função da introdução da meta contínua.

Curto prazo

Os economistas revisaram parte das expectativas de inflação de curto prazo no Relatório de Mercado Focus desta segunda. A mediana para janeiro de 2024 passou de 0,37% para 0,40%. Há um mês, a expectativa era de 0,39%.

Para o IPCA de fevereiro, a estimativa continuou em 0,65%, de 0,59% um mês antes. Já para março, a previsão para o indicador passou de 0,32% para 0,31%, ante 0,35% de quatro semanas atrás.

Projeção de alta do PIB de 2024 segue em 1,59%

O relatório manteve a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2024. A mediana para a alta da atividade deste ano seguiu em 1,59%, ante 1,51% de um mês atrás. Considerando apenas as 42 respostas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa para o PIB no fim de 2024 variou de 1,50% para 1,60%.

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Para 2025, o documento trouxe manutenção na estimativa de crescimento do PIB em 2,00%, como já estava um mês atrás. Considerando as 33 respostas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa para o PIB de 2025 também é de 2,00%.

Em relação a 2026, a mediana continuou em 2,00% pela 23ª semana consecutiva. O boletim ainda trouxe a estimativa de crescimento para 2027, que se mantém em 2,00% por 25 semanas.

A estimativa do Ministério da Fazenda para o crescimento do PIB de 2024 é de 2,2%. Já no Banco Central, a projeção atual é de avanço de 1,7% neste ano, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de dezembro.

Déficit primário em relação ao PIB em 2024 segue em 0,80%

O relatório trouxe manutenção na projeção de rombo fiscal de 2024. Para o déficit primário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, a mediana seguiu em 0,80%, mesmo nível de um mês antes.

A Lei Orçamentária Anual de 2024 prevê superávit de R$ 2,8 bilhões neste ano (0% do PIB). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já avisou que o governo "dificilmente chegará à meta zero", até porque o chefe do Executivo "não quer fazer cortes em investimentos e obras".

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A estimativa do Focus para o déficit nominal em 2024 piorou, de 6,80% para 7,00% do PIB, ante 6,80% de um mês atrás. O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após o gasto com juros e outras despesas financeiras.

A estimativa para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 seguiu em 64,25% na semana, ante 64,20% de um mês atrás.

Para 2025, o déficit primário esperado pelo mercado passou de 0,60% para 0,66% do PIB. O novo arcabouço fiscal aprovado no ano passado prevê uma meta de superávit de 0,5% do PIB no próximo ano.

O déficit nominal projetado para 2025 passou de 6,20% para 6,39%, ante 6,05% de um mês atrás. Já a estimativa para a dívida líquida passou de 66,40% para 66,55% do PIB, ante 66,00% de quatro semanas antes.

Previsão de déficit em c/c em 2024 segue em US$ 40,30 bilhões

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a estimativa de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos para 2024. A projeção deficitária seguiu em US$ 40,30 bilhões, ante US$ 41,40 bilhões de um mês atrás. Para 2025, a estimativa de déficit passou de US$ 43,00 bilhões para US$ 41,35 bilhões, ante US$ 47,60 bilhões há quatro semanas.

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Em relação ao superávit da balança comercial em 2024, a projeção passou de US$ 70,50 bilhões para US$ 75,00 bilhões, contra US$ 69,00 bilhões há um mês. Para 2025, a mediana passou de US$ 66,59 bilhões para US$ 68,50 bilhões, ante US$ 63,50 bilhões de quatro semanas atrás.

Mesmo com a desaceleração dos fluxos nos últimos meses, os analistas consultados semanalmente pelo BC avaliam que o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) é mais do que suficiente para cobrir o rombo em transações correntes. A mediana das previsões para o IDP em 2026 seguiu em US$ 65,00 bilhões. Há quatro semanas, estava em US$ 70,00 bilhões. Para 2025, a estimativa permaneceu em US$ 70,00 bilhões, ante US$ 75,12 bilhões de um mês antes.

Câmbio para 2024 passa de R$ 5,00 para R$ 4,95

O cenário esperado para o câmbio brasileiro neste ano variou para baixo. A estimativa para o câmbio no fim de 2024 passou de R$ 5,00 para R$ 4,95, ante R$ 5,00 de um mês antes. Para 2025, a mediana seguiu em R$ 5,00, de R$ 5,08 de quatro semanas antes. A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020. Com isso, o Banco Central espera trazer maior precisão para as projeções cambiais do mercado financeiro.

Previsão para Selic no fim de 2024 segue em 9,00% ao ano

O mercado manteve a mediana do Relatório de Mercado Focus para a expectativa de Selic terminal no atual ciclo de flexibilização em 9,00% ao ano no encerramento de 2024. Há um mês, a estimativa era de 9,25%. Considerando apenas as 53 respostas dos últimos cinco dias úteis, a mediana para o fim de 2024 passou de 9,25% para 9,00% ao ano.

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Em dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic pela quarta vez consecutiva em 0,50 pp, para 11,75% ao ano. O colegiado manteve a sinalização de que o ritmo de corte de 0,50 ponto porcentual continua sendo o mais apropriado para as próximas reuniões - no plural. Na coletiva do último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o presidente do BC, Roberto Campos Neto, enfatizou que essa mensagem vale para dois encontros: de janeiro e março de 2024.

No encontro do mês passado, o Copom repetiu que a magnitude total do ciclo de flexibilização ao longo do tempo dependerá da evolução da dinâmica inflacionária, em especial dos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, das expectativas de inflação, em particular daquelas de maior prazo, de suas projeções de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.

No Relatório de Mercado Focus, a projeção para a Selic no fim de 2025 continuou em 8,50%, igual a um mês antes. Para 2026, a projeção seguiu em 8,50% pela 24ª semana consecutiva. Para 2027, a estimativa também seguiu em 8,50%, onde se mantém por 23 semanas.

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