Aversão a risco no exterior contamina Ibovespa, que cai para nível dos 128 mil pontos

A aversão a risco internacional contamina o Ibovespa nesta quarta-feira, 17, depois de o índice na terça-feira, 16, já ter sentido o clima defensivo externo por conta de dúvidas em relação às expectativas de corte de juros nos Estados Unidos e na Europa. Nesta quarta-feira, este temor é reforçado devido a indicadores decepcionantes da China e após a alta mais forte do que a esperada das vendas do varejo dos EUA.

"Há uma desaceleração clara na China e governo continua injetando liquidez, mas isso parece não estar surtindo o efeito desejado. A tendência é que os estímulos chineses à economia devem prosseguir, pode ser que em algum momento tenham impacto", diz Lucca Ramos, especialista de renda variável da One Investimentos.

Na abertura, o Ibovespa estava em 129.293,35 pontos, mas depois enfraqueceu. "Tentou recuperar um pouco a queda, mas as vendas do varejo dos Estados Unidos mostraram aquecimento maior e instantaneamente houve alteração considerável nas apostas na plataforma CME para o começo de corte dos juros em março", descreve Sidney Lima analista da Ouro Preto Investimentos, ao referir-se ao recuo nas estimativas para início de recuo dos juros no terceiro mês deste ano.

Como acrescenta Lima, o VIX, índice do medo, que chegou a subir mais cedo 1,50% avançou a 2,62%, refletindo os dados do varejo dos EUA. Outro ponto, ressalta o analista da Ouro Preto, são as condições na China que ainda preocupam, dadas as perspectivas de desaquecimento.

As vendas do varejo dos EUA subiram 0,6% em dezembro, ante previsão de 0,4%, elevando, preliminar e moderadamente, as dúvidas sobre quando será iniciado o processo de queda dos juros dos EUA. Os juros dos rendimentos dos Títulos americanos aceleraram a alta.

Além das bolsas, as commodities também caem, pesando nas ações do setor na B3. O petróleo cai perto de 2,00%, enquanto o minério de ferro fechou em baixa de 0,75%, em Dalian, na China. Por lá, o país informou crescimento de 5,2% do PIB em 2023, uma alta maior do que a esperada da produção industrial em dezembro, além de vendas no varejo decepcionantes e recuo das vendas de moradias no ano passado.

Sobre os números, Gustavo Cruz, estrategista da RB investimentos, diz que os resultados merecem leituras distintas: uma de curto prazo e outra de médio e longo prazos. A de curto prazo, afirma, é que a economia cresceu no ano passado, superando a meta de 5% do governo. A despeito do crescimento, a sensação é de que a China crescerá menos, podendo anunciar uma meta menor em março. "A sensação é um pouco mais negativa", avalia em comentário.

No longo prazo, diz, a grande questão é em relação à população, que indica estar encolhendo, e há um esforço do governo em reverter essa tendência. Isso, analisa, pode frear um pouco as estimativas para o consumo do gigante asiático. Por ora, Cruz, das RB, acredita que os resultados dos dados chineses não trazem tanta preocupação para o Brasil, pois, segundo ele, o que realmente importa é que a China já está num nível muito alto de crescimento e o Brasil tem destravado barreiras comerciais e sanitárias com o país.

Ontem, o Índice Bovespa fechou com desvalorização de 1,69%, aos 129.294,04 pontos, com apenas uma ação em alta, de um total de 87.

Às 11h30, o Ibovespa caía 0,36%, aos 128.829,73 pontos, ante mínima aos 128.635,25 pontos (-0,51%), em dia de vencimento de opções sobre o índice. Vale caía 1,42%, mas a lista das maiores quedas era composta por papéis ligados ao setor de petróleo, que cede mais de 2,00%, caso de 3R Petroleum (-3,27%). Petrobras caía 0,26% (PN) e -0,63% (ON).

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