Indefinição externa e dúvida com Vale dificultam direção do Ibovespa, apesar de alta do minério

O Ibovespa iniciou esta segunda-feira (29) no zero a zero, espelhando o desempenho discreto dos índices futuros de ações de Nova York e das bolsas europeias, em dia de agenda externa minguada.

Contudo, a semana será de divulgações importantes, como o payroll americano, o relatório oficial de emprego, além de decisões sobre juros nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Brasil, bem como tem início a temporada de balanços por aqui. Nesta segunda serão informados os números de produção da Vale após o fechamento da B3, em meio a incertezas sobre a gestão da mineradora.

"A acomodação externa sugere um início de semana marcado por movimentos limitados nos ativos, com os agentes à espera da agenda global a partir de amanhã (terça-feira) e atentos aos sinais políticos", afirma o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, em nota.

Na sexta-feira, 26, o principal indicador da B3 fechou com alta de 0,62%, aos 128.967,32 pontos, terminado a semana com ganho de 1,04% - a primeira elevação semanal de 2024. A elevação foi influenciada em boa medida pelo avanço das ações da Vale, após a desistência do governo em colocar Guido Mantega no conselho da empresa.

No entanto, os papéis seguem no foco dos investidores e analistas. Interlocutores em Brasília consideram o cenário para a sucessão na Vale "aberto". Ao mesmo tempo, o governo Lula notificou a mineradora para cobrar R$ 25,7 bilhões em outorgas não pagas na renovação antecipada dos contratos das Estradas de Ferro Carajás e Vitória Minas na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em meio a estas incertezas, a valorização de 1,06% do minério de ferro em Dalian, na China, onde recrudescem temores com o setor imobiliário, é insuficiente para animar as ações da Vale e o próprio Ibovespa. Às 10h41, Vale cedia 0,49%, enquanto Petrobras subia 0,53% (PN) e 0,17% (ON), apesar do recuo do petróleo no exterior. A estatal divulgou aumento de 3,7% na produção total de óleo e gás natural em 2023.

"O foco deve continuar nas ações da Vale e da Petrobras. Os papéis da mineradora ainda estão muito pressionados mesmo depois da desistência do governo de emplacar Guido Mantega no conselho, na presidência da empresa", cita o economista Álvaro Bandeira, em comentário, mencionando ainda como nova fonte de pressão a cobrança feita pelo governo à Vale.

Ainda na seara corporativa, os papéis da Gol continuam atraindo as atenções. As ações caíam 7,26%, por volta das 10h40. As agências de classificação de risco Fitch e S&P rebaixaram a nota da empresa de 'CCC' para 'D' após pedido de reestruturação nos Estados Unidos pelo Chapter 11 (recuperação judicial). A Gol divulgou ainda que seu endividamento chegou a R$ 20,176 bilhões no quarto trimestre de 2023.

Às 10h43, o Ibovespa caía 0,03%, aos 128.932,90 pontos, ante recuo de 0,36%, na mínima aos 128.496,70 pontos e após abertura aos 128.969,74 pontos (-0,01%). Um pouco mais cedo, marcou máxima aos 129.005,59 pontos, em alta de 0,03%.

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