Após correção de janeiro, Ibovespa inicia novo mês em alta de 0,57%

O Ibovespa iniciou fevereiro em alta de 0,57%, aos 128.481,02 pontos, em máxima do dia que coincidiu com o fechamento da sessão.

Ainda assim, acompanhou nesta quinta-feira à alguma distância o avanço de Nova York que, após certa volatilidade no começo da tarde ante a retomada de dúvidas sobre bancos regionais nos EUA, firmou-se no positivo, mostrando ganhos que chegaram a 1,25% (S&P 500) e 1,30% (Nasdaq) no encerramento.

A incerteza sobre bancos regionais americanos acabou resultando em enfraquecimento global do dólar e demanda por Treasuries - aqui, a moeda à vista cedeu 0,44%, a R$ 4,9156, nesta quinta-feira.

Notadamente no começo da tarde - quando o Ibovespa renovou mínima da sessão a 127.283,98 pontos, acompanhando então a piora de sentimento em NY, com os índices de ações por lá também nos respectivos pisos do dia -, o movimento no câmbio respondeu ao enfraquecimento dos rendimentos dos Treasuries: o qual, por sua vez, refletiu as preocupações sobre os bancos regionais americanos, na esteira de balanço do New York Community Bancorp que resultou em busca por proteção nos títulos americanos - ativos, por excelência, considerados livres de risco.

Hoje, a agência de classificação de risco de crédito Moody's colocou o rating do New York Community Bancorp em revisão para possível rebaixamento, após o banco divulgar balanço - com queda significativa na capitalização, perdas "inesperadas" com escritórios e imóveis multifamiliares, e elevada bem como crescente dependência de financiamento, explicou a Moody's em comunicado.

No quadro mais amplo, passada a manutenção da taxa de juros de referência dos EUA na faixa de 5,25% a 5,50% e também o corte da Selic, de 11,75% para 11,25% ao ano, ambos conforme esperado, os investidores ponderam a direção da política monetária e o diferencial de juros. A expectativa é de que o Copom siga reduzindo a taxa brasileira em meio ponto porcentual nas "próximas reuniões" e que o Fed deverá segurar a taxa americana onde está ao menos até maio - encerrando, ao menos no momento, a discussão de mercado sobre eventual antecipação para março.

No comunicado do Copom na noite de ontem, "não houve sinalização de flexibilização do forward guidance referência para o que será feito à frente. Em reunião fechada com o mercado, o Galípolo Gabriel Galípolo, diretor de política monetária do BC tinha falado que haveria um custo de saída do forward guidance e que deveria ser sinalizado com antecedência. A ausência de tal sinalização no comunicado tende a indicar manutenção do plural também no próximo Copom, em março", aponta Alexandre Lohmann, economista-chefe da Constância Investimentos.

"Há sincronia entre o Copom e os comitês monetários do Fed e de outros BCs de países desenvolvidos, este é um ponto de destaque. Prevalece ainda a cautela apesar de bons indicadores na economia e de uma queda até surpreendente no ritmo da inflação. E o Fed sinalizou claramente isso ontem, até frustrando os mercados quando Jerome Powell presidente do BC americano afirmou ser improvável corte de juros na próxima reunião, em março", diz Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento).

"Pelo menos para as próximas duas reuniões na prática, ao que se refere o Copom na menção à manutenção de ritmo nas "próximas reuniões" estão contratadas mais duas reduções da Selic em meio ponto porcentual, o que colocaria a Selic a 10,25% ao ano. Daí para frente será importante esperar e ver o que o Fed fará, fator essencial para saber se haverá manutenção de ritmo ou aceleração no Brasil", diz Fernando Ferrer, analista da Empiricus Research.

Conhecidas as decisões e orientações mais aguardadas desta virada para fevereiro, o Ibovespa contou hoje com o bom apoio de Petrobras (ON +1,90%, PN +2,77%) - mesmo com o sinal negativo do petróleo na sessão, em queda superior a 2% - e de parte dos grandes bancos (BB ON +2,29%, Santander Unit +1,68%) para avançar na abertura do novo mês, vindo de perda de 4,79% em janeiro - a pior abertura de ano desde 2016, e também a maior perda mensal para o índice da B3 desde agosto passado.

A principal ação do Ibovespa, Vale ON, mantém ainda o sinal que prevaleceu em janeiro, quando acumulou perda de 12,23% - hoje, caiu 0,46%, em recuo semelhante ao do contrato de minério de ferro mais negociado em Dalian (China), que cedeu 0,36%, a US$ 135,04 por tonelada, no vencimento para maio de 2024.

Na ponta ganhadora do Ibovespa nesta abertura de fevereiro, destaque para Pão de Açúcar (+6,91%), CVC (+5,15%) e Carrefour Brasil (+3,36%), logo à frente de Petrobras PN. No lado oposto, Casas Bahia (-2,92%), 3R Petroleum (-2,45%) e Marfrig (-2,23%). Na sessão de hoje, o Ibovespa saiu de abertura a 127.752,28 pontos e, após ter subido ontem para a faixa de R$ 27 bilhões, o giro financeiro caiu um pouco nesta quinta-feira, a R$ 23,8 bilhões.

"Depois de um grande movimento de alta no final de 2023, o mercado tem espaço para correção. Esse movimento dificulta a vida de quem quer especular com possível alta, porém, ajuda quem deseja aumentar posições a preços mais baratos", observa Anderson Silva, sócio da GT Capital, acrescentando que o Ibovespa, com a correção vista em janeiro, continua a ser negociado com P/L ainda "longe da média e de suas máximas".