Após alta de 0,46% em janeiro, Fipe projeta desaceleração do IPC para 0,24% em fevereiro

O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (IPC-Fipe) deve desacelerar a 0,24% em fevereiro, após encerrar janeiro com alta de 0,46%, projeta o coordenador do indicador, Guilherme Moreira.

A elevação do IPC neste mês superou a mediana das estimativas de instituições de mercado financeiro consultadas pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,36%, e ficou perto do teto das previsões, que variavam de alta de 0,35% a 0,47%.

O movimento de desaceleração esperado para fevereiro, de acordo com Moreira, deve refletir a dissipação dos efeitos dos reajustes de matrículas e mensalidades escolares, que pressionaram o índice durante janeiro. "Do total da inflação do mês, 0,13 ponto porcentual partiu dos reajustes de cursos, é algo que vai para zero em fevereiro", pontua Moreira.

Houve, de acordo com a Fipe, alta de 4,98% nos cursos regulares em janeiro. A elevação, segundo Moreira, veio conforme o esperado, acompanhando o nível da inflação acumulada de 2022.

O coordenador ainda destaca o início da trajetória de desaceleração da inflação dos alimentos, que teve alta de 1,09% no encerramento de janeiro, após subir 1,51% na terceira quadrissemana do mês. O arrefecimento deve seguir em fevereiro, projeta.

"Como de costume, os fenômenos climáticos pressionam a parte de in natura, mas por enquanto está tudo dentro do esperado" avalia Moreira. "Claro que pode haver um período de chuva de uma semana para outra e fazer o preço dos in natura disparar, mas a dinâmica para os outros componentes de alimentação tem sido boa", acrescenta.

Para a inflação de fevereiro, Morreria ainda cita que espera novo recuo no grupo Transportes, a despeito da nova alíquota de ICMS dos Estados sobre os combustíveis, que tendem a pressionar o grupo.

Entre os vetores para essa baixa, o coordenador destaca a continuidade dos efeitos da gratuidade do ônibus na cidade de São Paulo aos domingos e feriados.

"Por enquanto, não vemos grandes pressões para a inflação de 2024. O cenário segue controlado", reforça Moreira.