Dólar sobe 1,07% e supera R$ 4,96 com dados fortes de emprego nos EUA

O dólar à vista subiu mais de 1% no mercado doméstico de câmbio e fechou acima de R$ 4,95, alinhado à onda de fortalecimento da moeda americana no exterior, após dados de emprego em janeiro nos EUA superarem as expectativas e promoverem um rearranjo das apostas em torno do início do ciclo de cortes dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano).

Perdas do petróleo e uma derrocada das cotações do minério de ferro, que recuaram mais de 2% na China, também contribuíram para pressionar divisas emergentes como o real.

Na abertura dos negócios, o dólar ensaiou dar continuidade ao movimento de queda de ontem à tarde e desceu até a mínima de R$ 4,9083. Ainda pela manhã, com a divulgação do relatório de emprego (payroll) de janeiro, o dólar à vista passou a subir e rapidamente ultrapassou a barreira de R$ 4,95.

A máxima, a R$ 4,9763, veio no início da tarde, em meio ao avanço mais forte das taxas dos Treasuries. No fim do dia, a moeda subia 1,07%, cotada a R$ 4,9683 - maior valor de fechamento desde 22 de janeiro (R$ 4,9873). Na semana, a divisa avançou 1,17%.

"O resultado do payroll foi muito forte. Isso mostra que o Fed acertou nesta semana ao ser cauteloso e mostrar uma comunicação mais prudente, tentando suavizar as expectativas do mercado para o tamanho do corte de juros neste ano, que estavam entre 150 pontos e 175 pontos base.

A desaceleração da inflação deve ser mais devagar daqui para frente", afirma o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, acrescentando que os balanços das companhias dos EUA também têm indicado uma maior resiliência da economia americana. "As bolsas e moedas emergentes, e também o euro, sofrem com a alta dos Treasuries, mas em Nova York os índices avançam com os balanços", afirma.

Na quarta-feira, 31, o Fed anunciou manutenção da taxa básica na faixa entre 5,25% e 5,50%, com a avaliação de que a economia americana segue em ritmo robusto e a inflação, apesar de ter desacelerado, ainda é elevada. Em seu comunicado, o BC americano ressaltou que "não seria apropriado" reduzir a taxa básica até que haja uma maior confiança de que a inflação está se movendo de forma sustentada para a meta de 2%.

Em entrevista coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, praticamente descartou a probabilidade de redução dos juros em março, deslocando as apostas majoritárias para maio. Após o payroll e números fortes também na confiança do consumidor americano em janeiro - uma combinação que pode resultar em maior rigidez da inflação -, as chances de início de ciclo de redução da taxa básica em maio caíram de 93,8% ontem para 71,2% hoje, e já há apostas marginais voltadas para junho.

Pela manhã, o Departamento de Trabalho dos EUA informou que foram gerados 353 mil empregos em janeiro, superando o pico das estimativas de analistas ouvidos por Projeções Broadcast, de 290 mil. A mediana das expectativas era de 195 mil. Houve ainda revisão para cima dos números de dezembro (216 mil para 333 mil) e de novembro (de 173 mil para 182 mil). A taxa de desemprego ficou em 3,7%, enquanto analistas esperavam alta para 3,8%. Os salários também surpreenderam com crescimento mensal e anual superiores às previsões.

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