Viés de queda em NY e IPCA acima do previsto jogam Ibovespa para baixo

A indicação de queda na abertura das bolsas norte-americanas nesta quinta-feira, após alta ontem, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro acima do esperado impedem o Ibovespa de subir na esteira das commodities.

O petróleo avança em torno de 1,00%, diante das tensões no Oriente Médio. O minério de ferro fechou com elevação de 2,39% em Dalian, na China, a poucos dias do feriado chinês, que começa no dia 10. Às 11h07, as ações da Vale subiam 0,46% e as da Petrobras zeravam a alta.

O Índice Bovespa cedia 0,25%, aos 129.622,52 pontos, ante recuo de 0,35%, com mínima aos 129.497,45 pontos, depois de subir 0,14% (máxima aos 130.125,92 pontos). Ontem, fechou em baixa de 0,36%, aos 129.949,90 pontos, após ter retomado no dia anterior o nível dos 130 mil pontos.

Com o feriado se aproximando na China e o carnaval, que deixará os mercados fechados no Brasil, os negócios estão meio "parados", descreve o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. "Acabaram os balanços de peso nos Estados Unidos e os dirigentes do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) estão alinhado em seus discursos, indicando paciência quanto ao início do corte de juros americanos", avalia.

As ações do Bradesco, que despencaram ontem entre 15,90% (PN) e 13,02% (ON), após apresentar lucro menor no quarto trimestre do que o esperado, tentam alguma recuperação. Agora, fica no radar a divulgação do balanço do Banco do Brasil (BB), após o fechamento da B3, e do relatório de produção da Petrobras do último trimestre de 2023. Os papéis do BB cediam 0,35% e Bradesco PN subia 0,29%, enquanto ON recuava 0,32%.

Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA fechou janeiro com alta de 0,42%, ante 0,56% em dezembro. O resultado superou a mediana de 0,35% das estimativas na pesquisa do Projeções Broadcast.

O avanço da taxa de inflação mais do que o previsto influencia negativamente algumas ações ligadas ao consumo, dada a alta já vista nos juros futuros.

Segundo o economista André Perfeito, "houve piora qualitativa do índice", com os núcleos apresentando certa aceleração e a dispersão mantendo-se em nível elevado.

A despeito da aceleração, Perfeito reitera em nota seu cenário de Selic em 9,75% ao final do ciclo. O economista explica que, se de um lado o IPCA tende a ficar relativamente estável, por outro, "a dinâmica do mercado de trabalho tende a pressionar serviços".

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