Ibovespa quebra série negativa e sobe 0,62%, a 127,8 mil, com Petrobras e NY

O Ibovespa quebrou série de quatro perdas e subiu 0,62%, aos 127.804,13 pontos, com giro a R$ 23,0 bilhões. Na sessão, o índice da B3 oscilou dos 126.932,47 aos 127.823,63, saindo de abertura a 127.018,29 pontos. No mês, o Ibovespa sobe 0,04%, com perda de 0,17% na semana. No ano, cede 4,76%. Com poucos catalisadores domésticos disponíveis, o leve apetite por ações na B3 foi guiado pela relativa descompressão dos rendimentos dos Treasuries, que também moveu os índices de ações em Nova York nesta quinta-feira de discretos gatilhos.

Os dados econômicos americanos do dia também contribuíram para ajuste na curva de juros doméstica, a qual, ontem, havia se alinhado à leitura acima do esperado para a inflação ao consumidor em janeiro nos Estados Unidos, divulgada na terça-feira, 13. Hoje, prevaleceram resultados mais fracos sobre vendas do varejo e produção industrial americana para o mesmo mês, no momento em que o mercado busca auscultar o que o Federal Reserve poderá fazer em relação à taxa de juros nos próximos meses.

Na agenda doméstica, o Boletim Focus, divulgado de manhã, trouxe poucas variações em relação à leitura semanal anterior, com leves ajustes apenas para o IPCA de 2024 (de 3,81% para 3,82%) e de 2025 (de 3,50% para 3,51%), e manutenção de expectativas quanto a câmbio, PIB e Selic, aponta a analista Rose Duarte, da Toro Investimentos.

No cenário externo, além dos dados americanos, destaque também para leituras contracionistas de PIB tanto no Japão como no Reino Unido, pelo segundo trimestre seguido - o que levou o Japão, em recessão técnica, a ser superado pela Alemanha como a terceira economia do mundo, destaca a analista da Toro.

Por sua vez, a fraqueza nas vendas do varejo nos Estados Unidos em janeiro pode pesar sobre o crescimento da economia americana, mas não deve afetar a posição do Federal Reserve sobre a política monetária, avalia a CIBC Economics em relatório divulgado nesta quinta-feira, reporta a jornalista Laís Adriana, do Broadcast.

"Os dados de varejo, meio fracos, acabaram fazendo com que os rendimentos dos Treasuries recuassem, hoje, e isso contribuiu para a melhora de nosso mercado", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. Apesar da melhora observada nos preços das commodities em geral, Moliterno aponta que o desempenho negativo de Vale, na sessão, decorreu da notícia de que a BHP aumentou provisionamento por conta do acidente, em 2015, em Mariana (MG) - o que leva o mercado a prever que a Vale, sócia da BHP na Samarco, também o fará.

"Um aumento de provisionamento da Vale em relação a Mariana pode ter um impacto, salvo engano, de aproximadamente 6% em relação ao resultado da empresa, o que resulta em desconto na ação", acrescenta. Por outro lado, a elevação do preço-alvo de Petrobras, de R$ 38 para R$ 48 pelo Bradesco BBI, deu apoio ao desempenho das ações da petrolífera na sessão. Também favoreceu a alta o relato de que o presidente da empresa, Jean Paul Prates, retomou contato com a estatal Adnoc, dos Emirados Árabes Unidos, sobre a venda de participação da Novonor na Braskem, em que a Petrobras, sócia na petroquímica, tem direito de preferência.

Na B3, o Ibovespa foi favorecido hoje pelo impulso proporcionado por nomes do setor metálico, como CSN (ON +3,13%) e Usiminas (PNA +5,56%), apesar da leve perda, de 0,32%, em Vale ON na sessão. O Ibovespa contou com o apoio de outros pesos-pesados, como Petrobras (ON +2,84%, PN +3,20%, ambas nas máximas do dia no fechamento) e Itaú (PN +0,85%). Em Nova York, o dia foi positivo também para Nasdaq (+0,30%), Dow Jones (+0,91%) e S&P 500 (+0,58%), que buscaram máximas da sessão ainda no meio da tarde, acompanhadas pelo Ibovespa.

Na ponta ganhadora do índice da B3 nesta quinta-feira, além de Usiminas, destaque também para Prio (+4,75%) e PetroReconcavo (+3,82%), com o avanço em torno de 1,5% para o petróleo na sessão. No lado oposto, Locaweb (-3,30%), Natura (-2,51%) e Carrefour (também -2,51%). "Usiminas refletiu a elevação de preço-alvo por parte do Citi - mas ainda mantendo recomendação neutra -, além de uma maior demanda por aço no Brasil", diz Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital.

"Durante o feriado teve a leitura sobre a inflação nos Estados Unidos, uma surpresa negativa, e o mercado ficou um pouco mais nervoso. Hoje já foi um dia mais tranquilo, relativamente calmo, com o mercado à espera de novos gatilhos, sejam internos ou externos, na medida em que se sabe que o Federal Reserve deve demorar um pouco mais para cortar os juros", diz Felipe Moura, analista da Finacap Investimentos.