Recessão nos EUA hoje em dia parece cada vez mais distante, diz ex-diretor do BC

"A economia americana está bem mais forte do que a gente esperaria, dado o nível de juros", afirmou o gerente de portfólio da Itaú Asset e ex-diretor do Banco Central Bruno Serra, na quinta-feira, 22. Para ele, uma recessão nos Estados Unidos está cada vez mais distante.

Segundo Serra, setores mais cíclicos como o mercado imobiliário e a indústria desaceleraram, mas os serviços compensaram este movimento e seguem crescendo.

"A parte de saúde e educação no payroll, sobretudo, tem se ajustado após o período da pandemia, durante o qual era mais difícil gerar trabalho nesses setores pelo contato pessoal, risco de contaminação, etc.", falou Serra durante a mesa "Economia em Foco: Desafios e Oportunidades Globais", do BTG Summit 2024, na quinta-feira.

Apesar disso, ele destacou que a economia forte "não deveria assustar". "O ritmo de crescimento dos EUA é mais para 2,5% do que para 4%. A gente acredita que a fortaleza da economia americana no segundo semestre do ano passado talvez não seja tão verdade assim", afirmou.

Juros nos EUA

Para o gerente de portfolio da Itaú Asset e ex-diretor do Banco Central, o Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) deve se sentir confortável para realizar de três a quatro cortes de juros neste ano. "Por volta de junho, eu acho que teremos elementos suficientes pro Fed ter conforto de três ou quatro cortes nesse ano, podendo até ser um puquinho mais", falou.

Serra também expôs acreditar, porém, que o banco central norte-americano "não precisa nada", no sentido de ter espaço tanto para adiantar quanto para postergar o corte de juros. "O Fed tem todas as cartas na mão. Quando eu olho pros EUA hoje, eu falo que o Fed não precisa nada, pois a economia está bem, a inflação está bem, nem alta e nem baixa demais, e a economia está forte", afirmou. "Se a autoridade monetária quisesse cortar em março, poderia. Se quiser esperar agosto, também pode", avaliou.

Nesse sentido, ele acredita que o presidente do Fed, Jerome Powell, parecia querer iniciar a redução das taxas mais rapidamente, ainda que fizesse ajustes mais lentos. Atualmente, na sua visão, há maior probabilidade de que o começo dos cortes seja postergado.