Custo das mudanças climáticas é de US$ 22 bi por ano, afirma presidente do BID

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, comentou o impacto das mudanças climáticas na economia, como o aumento da temperatura do planeta que levou 2023 a ser o ano mais quente da história, que tem custos estimados de US$ 22 bilhões por ano. Eventos climáticos podem levar a mais de 3 bilhões de pessoas para a pobreza, comentou Goldfajn em um debate, ressaltando a necessidade de enfrentar esse problema. "O custo das mudanças do clima afeta a sociedade, afeta as pessoas, aumenta a pobreza."

Para ele, os bancos de desenvolvimento e instituições multilaterais têm papel importante em destravar investimentos para a transição energética, mas não podem ser o ator principal.

É preciso também a atuação da iniciativa privada. Por isso, o governo brasileiro lançou nesta segunda-feira um programa de proteção cambial, com a colaboração do BID e do Banco Central.

Goldfajn lembrou que o BID prometeu triplicar os recursos destinados a financiar projetos de infraestrutura para combater as mudanças climáticas, de US$ 50 bilhões para US$ 150 bilhões nos próximos 10 anos. "Temos todo interesse em projetos de transição da economia do Brasil", disse ele.

O Brasil é o maior cliente do BID. "Temos todo interesse alinhado", disse no evento. O ex-presidente do Banco Central participou do Fórum Brasileiro de Finanças Climáticas, que começou na tarde desta segunda-feira.

Para tentar atrair o setor privado, o presidente do BID disse que a proteção cambial é uma forma de estimular que estes agentes invistam mais. Em estudo, estão formas de se lançar bônus da Amazônia, para captar recursos.

Há ainda em discussão os "debt swaps", estruturas para financiar projetos com troca de dívida. "Os recursos que a gente usa têm que ter os incentivos corretos", afirmou Goldfajn.

Uma das possibilidades é que, caso os países consigam cumprir metas climáticas, o custo de financiamento se reduza para esse mercado.