Ibovespa sobe 0,12%, a 129,1 mil pontos, mas cede 0,18% na semana

Em dia bem mais positivo em Nova York do que na B3, o Ibovespa iniciou março pouco acima da estabilidade, em leve alta de 0,12%, aos 129.180,37 pontos, em sessão na qual o destaque foi o PIB brasileiro de 2023, em expansão de 2,9%, um pouco abaixo da expectativa de consenso. Em Nova York, os ganhos da sessão chegaram a 0,80% e 1,14% para S&P 500 e Nasdaq, com avanço de 0,95% e 1,74% na semana, pela ordem.

Por sua vez, na semana, o índice da B3 cedeu 0,18%, não conseguindo estender a série positiva pela quarta semana - um avanço muito contido no intervalo anterior, que resultou em alta de 0,99% para o Ibovespa em fevereiro, após tombo de 4,79% em janeiro. O giro desta sexta-feira, em que o índice oscilou dos 128.717,01 aos 129.715,512, ficou em R$ 21,2 bilhões. No ano, a Bolsa cai 3,73%.

Pesou sobre o desempenho do índice da B3 na semana a correção nas ações de Petrobras, especialmente após o presidente da empresa, Jean Paul Prates, ter lançado dúvidas sobre a distribuição de dividendos extraordinários que o mercado vinha antecipando. Assim, sem sinal único nesta sessão (ON -0,02%, PN +0,10%), a ação ordinária acumulou perda de 5,52% na semana e a preferencial, de 4,11% - no ano, ainda sobem, respectivamente, 5,72% e 7,89%.

Outro peso-pesado do índice, Vale ON, seguiu em baixa de 0,16% nesta sexta-feira, acumulando perda de 0,74% na semana e de 13,37% no ano. Além do preço do minério, que caiu nesta sexta-feira 1,75% em Dalian, China, o mercado segue atento à falta de definição quanto à permanência ou não de Eduardo Bartolomeo no comando da mineradora, com o presidente Lula tendo voltado a elevar o tom, nesta semana, em torno da importância da empresa para o País, observa Dierson Richetti, sócio da GT Capital, o que deixa os investidores receosos quanto a uma "interferência" que possa resultar em "decisões muito mais políticas do que profissionais".

Por outro lado, as ações do setor financeiro, em geral, tiveram desempenho moderadamente positivo, hoje, contribuindo para o leve ganho do Ibovespa na sessão - destaque para alta de 0,81% em Bradesco ON e de 0,44% para Itaú PN, mas também para a forte queda da ação da B3 (-3,20%), na mínima do dia no fechamento. "O que surpreendeu hoje foi a queda da B3: a princípio, surgiu informação de que o Mubadala fundo soberano de Abu Dhabi tem projeto de abrir uma segunda bolsa no Brasil, a partir de 2025, e isso impacta diretamente nesta ação", diz Richetti.

Na ponta ganhadora entre as 86 ações da carteira Ibovespa, destaque nesta sexta-feira para Casas Bahia (+7,52%), Embraer (+5,94%) e Lojas Renner (+5,25%). No lado oposto, São Martinho (-4,56%), Pão de Açúcar (-3,72%) e Carrefour (-3,39%).

O quadro das expectativas para o desempenho das ações no curtíssimo prazo está mais equilibrado no Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. Entre os participantes, 50% disseram que o Ibovespa deve acumular ganhos na próxima semana, enquanto as respostas de variação neutra e queda tiveram, cada, fatia de 25%. Na pesquisa anterior, 71,43% previam alta e 28,57%, baixa, sem nenhuma indicação de estabilidade.

"O Ibovespa se encaminhou ao fim da semana bem perto da estabilidade na sessão, após uma semana que havia começado de forma mais promissora, com a divulgação, na terça-feira, de leitura abaixo do esperado para o IPCA-15 em fevereiro que resultou em alta de 1,61% para o índice da B3 naquela sessão", diz Inácio Alves, analista da Melver, destacando também o fechamento na curva de juros doméstica. Nas duas sessões seguintes, contudo, sob pressão em especial da correção em Petrobras, o Ibovespa recuou 1,16% e 0,87%, quase no zero a zero na semana.

Hoje, a agenda se concentrou em outro dado de peso, o PIB do quarto trimestre e do ano de 2023. "No quarto trimestre, o PIB veio em linha com a nossa projeção, de variação zero na margem, ou seja, estabilidade, que resulta em crescimento de 2,9% no ano de 2023", diz Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

"O headline veio em linha, mas quando a gente olha as aberturas, houve surpresa baixista na área de agropecuária, e o que compensou essa surpresa foi o setor de serviços e, principalmente, indústria. Tivemos então um PIB ex-agro mais forte do que nossa projeção. A mensagem que fica é de um PIB mais forte do ponto de vista da inflação, em termos de implicação para a política monetária - uma mensagem um pouco mais 'chatinha", em relação ao que a gente estava projetando, para o Banco Central", acrescenta a economista.