Na contramão de NY, Ibovespa cai 0,43%, antes do balanço da Petrobras

O Ibovespa permaneceu no nível de 128 mil pontos pela quarta sessão consecutiva, intervalo no qual obteve apenas um ganho, de 0,62%, ontem. Na contramão de Nova York ao longo do dia, o índice da B3 cedeu hoje 0,43%, aos 128.339,76 pontos, entre mínima de 128.032,56 e máxima de 129.187,69 na sessão. Após a recuperação de volume também vista ontem, o giro ficou restrito a R$ 19,3 bilhões nesta quinta-feira. Na semana, o Ibovespa cai 0,65% e, no mês, perde 0,53% - no ano, a retração está em 4,36%.

À espera do balanço trimestral, que será conhecido após o fechamento da sessão, Petrobras ON cedeu 0,58% e a PN, 1,10%. O mercado aguarda os números com a perspectiva de que uma produção vigorosa impulsione os proventos da empresa - "um retorno generoso aos investidores poderia atenuar os efeitos adversos das recentes declarações do CEO, Jean Paul Prates, sobre o assunto", aponta em nota a Guide Investimentos.

"Desde a fala do presidente da Petrobras, na quarta-feira, 28 de fevereiro, dia em que as ações preferenciais caíram mais de 5%, o ativo vem andando de lado", diz Leandro Petrokas, diretor de research e sócio da Quantzed. Na ocasião, observa Petrokas, Prates levantou "dúvidas" sobre a política de dividendos da estatal, e mencionou a possibilidade de a empresa realizar investimentos em novas áreas de atuação, como energia renovável. "Os investidores estão cautelosos com o balanço", acrescenta.

Exceção hoje, mais cedo, entre as ações de maior peso, Vale ON virou à tarde e fechou em baixa de 0,34% nesta quinta-feira. O desempenho das ações de grandes bancos, em geral, foi negativo - exceção entre as maiores instituições para Santander (Unit +0,53%). Na ponta ganhadora do Ibovespa, Yduqs (+3,88%), Localiza (+3,58%) e TIM (+2,37%). No lado oposto, CSN (-4,80%), no dia seguinte ao balanço trimestral, à frente na sessão de Dexco (-4,12%) e Pão de Açúcar (-4,07%).

No cenário externo, as falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, hoje ao Senado americano, permaneceram no foco do mercado. E, apesar da cautela mostrada por Powell com relação ao setor imobiliário, e de certa forma também com relação aos juros, o dia foi de amplos ganhos para os índices de ações em Nova York, com destaque para S&P 500 (+1,03%) e Nasdaq (+1,51%), mesmo com o avanço dos juros longos americanos, de 10 e 30 anos, observado em parte da sessão.

"Powell acredita em uma queda mais lenta dos juros americanos, o que pode impactar os cortes de juros no restante do mundo, inclusive no Brasil", diz Inácio Alves, analista da Melver, chamando atenção, também, para as observações cautelosas do presidente do Fed com relação ao setor imobiliário.

Ao Senado, Powell afirmou hoje que o mercado imobiliário residencial dos Estados Unidos está em "situação muito, muito difícil", com oferta muito baixa de moradia, o que impulsiona os preços. Para o presidente do Fed, assim que a estabilidade de preços for restaurada, e o BC americano reduzir juros, o mercado imobiliário poderá começar a "se curar".

Powell disse também que o Fed busca obter maior confiança de que a inflação nos EUA caminha de forma sustentável à meta de 2%, antes de decidir relaxar a política monetária. Segundo ele, o Federal Reserve não está longe de chegar a esse nível de confiança e, se a economia americana evoluir conforme o previsto, será apropriado cortar juros, reporta o jornalista André Marinho, do Broadcast(sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).