Presidente do Banco da Inglaterra diz que política seguirá restritiva o 'tempo suficiente'

O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey, afirma que a política monetária da instituição seguirá em nível restritivo "o tempo suficiente" para garantir inflação na meta de 2%. Em carta ao ministro das Finanças, Jeremy Hunt, divulgada no mesmo dia da decisão de política monetária, ele garante que o banco central está pronto a fazer ajustes em sua política, caso seja possível, mas também cita riscos à perspectiva.

Bailey diz que a inflação continua a cair como esperado, com a política monetária apertada contribuindo para isso. "Mas temos de ter certeza de que a inflação retornará para nossa meta de 2% de modo sustentável", pondera, por isso a decisão desta quarta-feira de manter os juros.

Bailey diz que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) tem caído de modo significativo ao longo do último ano no Reino Unido, puxado sobretudo por um relaxamento nas pressões externas dos custos, refletidas em preços de energia, alimentos e no núcleo de bens mais baixos. A inflação de serviços, ligada mais diretamente aos custos domésticos, também começou a cair, "embora siga elevada".

O presidente do BC britânico diz que pressões nas cadeias de produção diminuem, o que leva para baixo também a inflação ao produtor, mas adverte que ainda existem "riscos substanciais", como tensões no Oriente Médio, inclusive problemas no tráfego de cargas marítimas no Mar Vermelho.

Já o mercado de trabalho britânico segue apertado, segundo os padrões históricos, mas tem continuado a relaxar. Bailey afirma que a inflação ao consumidor deve subir um pouco no segundo semestre. A inflação de alimentos deve continuar a cair, enquanto a de bens do mesmo modo deve recuar, em meio a mudanças nos preços que devem se seguir à moderação no índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês).

Bailey afirma que a inflação de serviços deve cair de modo gradual ao longo de 2024, embora em ritmo mais lento que outros componentes. A moderação no avanço dos salários também deve colaborar para reduzir pressões.

Nesse quadro, Bailey afirma que a política monetária garantirá inflação na meta de 2%. Ele sabe que a política monetária restrita pesa na na economia real, mas destaca o fato de que indicadores importantes da persistência da inflação seguem elevados.

O conselho do BoE segue preparado para ajustar a política monetária quando necessário, conforme os dados, para que a inflação retorne à meta de 2% de modo sustentável, afirma Bailey na carta.

O BoE continuará a monitorar de perto indicações de pressões inflacionárias persistentes e a resiliência na economia como um todo, incluindo uma série de medidas de força subjacente das condições do mercado de trabalho, o crescimento dos salários e a inflação de serviços. Nesse quadro, o conselho manterá sob revisão por quanto tempo os juros seguirão em seu nível atual, afirma a autoridade.