Dólar tem viés de alta com commodities fracas

O dólar à vista mantém volatilidade entre margem estreita na manhã desta quarta-feira, 27, e exibia viés de alta às 9h46. O mercado de câmbio ajusta-se ao fortalecimento do índice DXY do dólar ante seis moedas relevantes e recuo de commodities, após abrir com viés de baixa. No radar ainda o desempenho lateral dos juros dos Treasuries, com viés negativo.

O dia é de agenda esvaziada nos EUA e os investidores aguardam um leilão do Tesouro dos EUA, de US$ 43 bilhões em T-notes de 7 anos, e discurso de uma autoridade do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), no começo da noite. Aqui, o destaque é o relatório do mercado de trabalho Caged de fevereiro (14h).

Mais cedo, em entrevista à Radio Itatiaia, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a revisão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) pode acontecer ainda no primeiro semestre. "Pelo que vejo da evolução da geração de emprego, das notícias que tenho dos setores agro, automobilístico, etc., quero crer que essa revisão pode ser feita para cima, mas é uma percepção minha", disse. "Acredito que a área técnica vai concluir que o crescimento pode ser sim superior a 2,2%, como está previsto na Lei Orçamentária."

O ministro reiterou que o governo vai trabalhar para enviar o projeto do programa Juros por Educação, uma proposta para refinanciar as dívidas dos Estados com a União com compromissos de investimentos no Ensino Médio Técnico (EMT), ao Congresso Nacional o quanto antes. Porém, pontuou que depende ainda do entendimento dos Estados. Além disso, disse que está em negociação com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), a possibilidade de repassar para União dívida da Petrobras com o Estado. De acordo com o ministro, não será o governo quem irá julgar a conveniência de transferir ativos.

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) recuou 0,47% em março, após queda de 0,52% em fevereiro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com esse resultado, o índice acumula queda de 4,26% em 12 meses. O recuo desta leitura ficou igual ao piso do intervalo das estimativas do mercado (-0,47% a alta de 0,06%). A mediana das expectativas colhidas pelo Projeções Broadcast apontava queda de 0,25%.

Já o Índice de Confiança de Serviços (ICS) cresceu 1,6 ponto na passagem de fevereiro para março, na série com ajuste sazonal, para 95,8 pontos, o maior nível desde outubro de 2022. Em médias móveis trimestrais, o ICS aumentou 0,7 ponto.

Lá fora, o petróleo amplia perdas de terça-feira, 26, enquanto investidores aguardam pesquisa semanal do DoE sobre estoques de petróleo e derivados dos EUA e seguem monitorando desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia.

O minério de ferro recuou 3,53% em Dalian, na China, onde o lucro industrial teve expansão anual de 10,2% no primeiro bimestre de 2024, depois de cair 2,3% em todo o ano passado. O petróleo cedia cerca de 0,60% há pouco.

No Japão, o iene se recupera de perdas intradia após o ministro de Finanças, Shunichi Suzuki, indicar que o governo do país poderá tomar "medidas decisivas", sugerindo possível intervenção cambial, após a moeda japonesa atingir seu menor nível ante o dólar em quase 34 anos durante a madrugada de hoje. A última vez que Suzuki usou a expressão "medidas decisivas" foi durante o outono japonês de 2022, quando o Japão interveio no mercado cambial para conter a fraqueza do iene.

Já o vice-ministro das Finanças do Japão, Masato Kanda, afirmou que tomará ações apropriadas contra os movimentos excessivos do mercado de câmbio, alegando que ações especulativas estão por trás da queda do iene ao menor nível em 34 anos. "Tomaremos as medidas apropriadas contra movimentos excessivos sem descartar nenhuma opção". Segundo a autoridade, o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) considerará abordar a situação cambial com a política monetária, caso as movimentações cambiais tenham um impacto significativo sobre as perspectivas econômicas e de preços.

Às 9h46 desta quarta-feira, o dólar à vista tinha viés de alta de 0,09%, a R$ 4,9875. O dólar para abril ganhava 0,23%, a R$ 4,9880.