Membro do Fed diz que se questionará sobre corte de juro, caso inflação perdure na faixa atual

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou nesta quinta-feira, 4, que os números de inflação nos Estados Unidos de janeiro e fevereiro "foram um pouco preocupantes". Durante entrevista em Live no LinkedIn, ele disse que previu, nas projeções de março do Fed, dois cortes de juros para este ano, mas acrescentou que, caso a inflação perdure na faixa atual, isso poderia levá-lo a se questionar se seria adequado levar adiante o plano neste ano.

Sem direito a voto nas decisões de política monetária deste ano, Kashkari disse também que seria algo a se pensar, caso a economia siga forte, se seria adequado cortar juros.

O dirigente afirmou que há muita incerteza sobre o que está acontecendo na economia americana neste momento. Também disse que as altas nos juros "não estão oficialmente descartadas", porém acrescentou que em seu cenário atual não é provável que elas aconteçam.

Kashkari foi questionado sobre eventual mudança na meta de 2% do Fed. O dirigente disse que "ninguém" entre os dirigentes do Fed deseja isso agora, pois mudar a meta de inflação "apenas minaria nossa credibilidade". Na avaliação do presidente do Fed de Minneapolis, o mercado de trabalho americano perdeu um pouco do fôlego, "mas segue apertado".

Questionado sobre se o Fed pode continuar a reduzir seu balanço mesmo após começar a cortar os juros, Kashkari respondeu que não via motivo para evitar o prolongamento desse processo de redução. Ele comentou que o balanço atual ainda é muito grande, "em modo expansionário" para a economia, e reduzi-lo o levará para um nível mais normal e adequado.

Em outro momento da conversa, Kashkari reafirmou seu ceticismo em relação ao bitcoin, que "infelizmente só tem crescido". O dirigente argumentou que a criptomoeda, mesmo após dez anos de existência, ainda não "há uso legítimo" da criptomoeda na vida cotidiana das pessoas comuns. Para ele, o único uso de fato do bitcoin no momento atual é contornar regulações do setor bancário, como para adquirir drogas, por exemplo. Kashkari afirmou também que o bitcoin preocupa "mais da perspectiva do consumidor que da estabilidade financeira".

No fim da entrevista, Kashkari falou sobre a inteligência artificial e seus potenciais efeitos na economia. Ele avaliou que seria difícil que a IA levasse a grandes cortes de empregos, sendo mais provável que ela "leve a empregos diferentes". "Continuo a apostar nos trabalhadores", afirmou, acrescentando que "os humanos terão muito a contribuir" nessa economia do futuro. Kashkari recordou de projeções de anos recentes que se mostraram até agora frustradas, como de que todos os motoristas perderiam o emprego pois os carros seriam dirigidos remotamente por meio de tecnologia.

O dirigente disse que isso pode até acontecer no futuro, mas não é um processo simples nem rápido.