Lucro da Barry Callebaut cai 67,2% no 1º semestre fiscal, para US$ 85 milhões

A fabricante de chocolates Barry Callebaut registrou queda de 67,2% no lucro líquido, alcançando 76,8 milhões de francos suíços (US$ 85 milhões, com US$ 1 = 0,9 franco suíço) nos seis meses encerrados em 28 de fevereiro de 2024, ante 234,3 milhões de francos suíços em igual período do ano anterior. A receita nos seis meses aumentou para 4,643 bilhões de francos suíços, de 4,18 bilhões francos suíços no ano anterior, alta de 11,1%.

Já o Ebit (lucro antes de juros e impostos) recuou 48,9%, para 178,1 milhões de francos suíços. As ações da empresa operavam em alta de 8,46%, às 8h25 (horário de Brasília), na SIX Swiss Exchange, a 1.334 francos suíços.

O volume de vendas alcançou no semestre 1,138 milhão de toneladas, alta de 0,7% ante o volume no período equivalente no ano anterior. No negócio de chocolate, o volume recuou 0,4%, alcançando 754.473 toneladas.

As vendas de produtos de cacau recuaram para 226.225 toneladas (-0,7%). Já as vendas de produtos gourmet e especiais subiram para 157,826 toneladas (+8,4%). "Os fabricantes de alimentos continuaram prejudicados pela fraca demanda do consumidor no contexto de um ambiente de alta inflação. A Barry conseguiu mitigar essas pressões, pois seu modelo de negócios diversificado permitiu capturar a mudança do consumidor para ofertas de chocolate de marca própria", disse a empresa em nota.

Na Europa Ocidental, o volume de vendas subiu para 370.049 toneladas (2,2%), enquanto na Europa Central e Oriental aumentou a 152.158 toneladas (3,5%). O crescimento do volume na América Latina também acelerou para 30.371 toneladas, 6,2% no semestre, liderado por produtos gourmet no Brasil. Contudo, houve queda no volume de vendas na América do Norte, a 270.313 toneladas (-1,9%), e na região na Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África, de 89.408 toneladas (-0,6%).

Para o ano fiscal de 2024, a empresa reiterou as projeções de 2023/24 e continua a esperar volumes e Ebit estáveis em moeda constante, à medida que enfrenta o que chamou de ambiente altamente volátil. A Barry Callebaut espera também "benefícios modestos" com o BC Next Level, seu programa de investimento lançado em setembro de 2023.

Os resultados do semestre parecem tranquilizadores, visto o aumento sem precedentes nos preços do cacau, bem como a reestruturação contínua da empresa, escreveu o analista da Vontobel, Jean-Philippe Bertschy.

O crescimento do volume é um bom sinal da forte oferta, apesar da racionalização do portfólio, afirmou. "No entanto, a situação continua frágil", acrescentou, em parte por causa da proporção de cacau. A projeção para o ano fiscal aponta para um segundo semestre volátil e turbulento, avaliou.

Para o analista da Baader Helvea, Andreas von Arx, a empresa divulgou números mistos e os investidores podem precisar de mais progresso na transformação. "Não temos certeza se este é um sinal positivo para o investidor médio considerar Barry Callebaut", avaliou. A perspectiva para 2024 parece factível, mas a empresa deve fornecer metas claras de médio prazo e pós-transformação, disse.