Temor de juro alto nos EUA impede Ibovespa de subir, mesmo com IPCA e commodities

O Ibovespa cai na manhã desta quarta-feira, 10, acompanhando o recuo de mais de 1,00% das bolsas dos Estados Unidos, após a divulgação de dados fortes da inflação norte-americana em março.

O recuo do Índice Bovespa ocorre apesar da valorização do minério de ferro e do resultado abaixo do esperado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês passado.

Ontem, o Ibovespa fechou com alta de 0,80%, aos 129.890,37 pontos. Às 11h15 desta quarta-feira, cedia 0,80%, aos 128.853,51 pontos, após recuar 0,81%, na mínima aos 128.838,36 pontos, e abertura aos 129.871,64 pontos, com queda de 0,01%.

"O IPCA menor é uma notícia boa, mas as grandes incertezas são os Estados Unidos. O mercado começa a duvidar se a queda dos juros americanos, que era esperada para junho, virá", avalia Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,4% em março, ante projeção de alta de 0,30%, enquanto o núcleo do indicador atingiu 0,4% no período, contrariando a expectativa de 0,3%. Os resultados sugerem que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) poderá demorar para começar a cortar os juros do país. Recentemente, o payroll forte elevou as dúvidas quanto ao início e à magnitude dos cortes do juro básico do país este ano.

Outro foco nesta quarta-feira no decorrer do dia é a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Fed, além da participação de dirigentes do BC americano em eventos.

Já o IPCA atingiu 0,16%, ante 0,83% em fevereiro. A taxa acumulada em 12 meses foi de 3,93% até março (de 4,50%). O resultado mensal fixou abaixo da mediana de 0,24% das estimativas na pesquisa do Projeções Broadcast e quase no piso de 0,15% das expectativas.

O resultado surpreendeu positivamente e reforça a expectativa de novo corte de meio ponto porcentual da Selic no Comitê de Política Monetária (Copom) em maio. Para junho, muitos esperam uma redução no ritmo para 0,25 ponto. "O CPI forte nos Estados Unidos e outros indicadores pode prejudicar o trabalho do Banco Central brasileiro", opina Saadia, da Nomos.

Para Rodrigo Ashikawa, economista da Principal Claritas, não só o resultado em si do IPCA veio melhor do que esperado como também foi possível notar melhoria na composição do indicadador. "É um IPCA positivo no sentido de reforçar desinflação, só que o CPI americano veio pior. Parece que o setor de serviços continua sendo o vilãO, o que reforça a cautela do Fed com relação à política monetária", afirma.

Como reforça Ashikawa, os dados da inflação de março dos EUA "joga contra" as expectativas de início de queda dos juros do país em junho. "Claro, será preciso observar como os dirigentes do Fed absorverão os números. De todo modo, fica cada vez mais difícil esperar um corte dos juros americanos em junho", diz.

Em Dalian, na China, o minério de ferro subiu 1,43%, mas as ações da Vale cedem perto de 0,70%, com CSN ON cedendo bem mais: -3,05%. Hoje à noite, a China divulgará seus números de inflação de março. Já o petróleo opera perto da estabilidade. Ainda assim, os papéis da Petrobrás avançam entre 1,60% (PN) e 1,93% (ON), em meio a expectativas de que Jean Paul Prates permanecerá na presidência da estatal.

Ontem, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pediu "paz" à estatal e disse que o cargo de presidente da empresa cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.