Ibovespa vira e fecha em baixa de 0,03%, aos 128,4 mil pontos

Dúvidas em relação ao impacto fiscal da ajuda federal ao Rio Grande do Sul, em meio aos efeitos de inundação sem precedente no Estado e na capital, Porto Alegre, neutralizaram os ganhos do Ibovespa ao longo da tarde, distanciando o índice da B3 do avanço observado em Nova York nesta abertura de semana. Aqui, a alta moderada deu lugar a leve perda de 0,03% no fechamento, aos 128.465,69 pontos, enquanto os ganhos em NY chegaram a 1,19% (Nasdaq) no fim do dia. O giro na B3 ficou restrito a R$ 18,4 bilhões nesta segunda-feira, após ter mostrado recuperação na sessão anterior, perto então da casa de R$ 28 bilhões.

Nas três primeiras sessões de maio, o Ibovespa acumula alta de 2,02%, que limita a perda do ano a 4,26%. Na ponta do índice nesta segunda-feira, destaque para Petz (+4,11%), Pão de Açúcar (+2,65%) e SLC Agrícola (+1,53%). No lado oposto, Braskem (-14,53%), Marfrig (-4,92%) e Minerva (-3,69%).

O dia foi majoritariamente positivo para as principais ações do Ibovespa, à exceção de Bradesco (ON -1,36%, PN -0,07%) e de alguns nomes do setor metálico, como Gerdau (PN -0,10%) e CSN (ON -0,21%). Vale (ON) subiu 0,30% e Petrobras mostrou alta de 0,50% (ON) e de 0,68% (PN) no fechamento. Entre os grandes bancos, Itaú (PN +0,62%) e BB (ON +0,57%) também tiveram ganhos na sessão.

"Dia de agenda esvaziada no exterior, e cautela para a decisão do Copom sobre a Selic, na quarta-feira, com dúvida se o corte será de meio ponto porcentual, como nas reuniões anteriores, ou se será de apenas 0,25 ponto dessa vez, como pareceu sinalizar o presidente do BC, Roberto Campos Neto, nas últimas semanas. Sem muita referência para os negócios nesta segunda-feira, e diante da cautela para o Copom, o investidor evita montar posição", diz Gabriel Pereira, sócio e especialista da Blue3 Investimentos.

No meio da tarde, enquanto o Ibovespa perdia força e convergia para o zero a zero na sessão, a curva de rendimentos do DI acentuou alta, nas máximas do dia entre os contratos de curto e médio prazo, reporta o jornalista Gustavo Nicoletta, do Broadcast, após a ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmar no Facebook que o governo está trabalhando para "mobilizar ajuda efetiva e tempestiva" ao Rio Grande do Sul.

A ministra disse também que "será proposta medida, sem necessidade de mudança constitucional ou legal, para que as ações necessárias sejam compatíveis com regras fiscais vigentes e continuem a permitir atendimento imediato aos gaúchos". A declaração reforçou a preocupação do mercado com aumento nas despesas públicas em momento de pouco espaço no orçamento para o cumprimento da meta de resultado primário.

"A dívida bruta do Brasil está em 75% do PIB, conforme dados divulgados nesta manhã. O nível de endividamento é alarmante por si só, tendo em vista que o Brasil é um país emergente, com taxa de juros e custo de dívida ainda alto. Dívida nesse patamar de 75%, 80% do PIB, traz desconfiança para o investidor estrangeiro, quanto à capacidade de pagamento e manutenção da liquidez. É uma bandeira amarela hasteada já há algum tempo", diz Pedro Lang, economista e sócio da Valor Investimentos.

Ele acrescenta que a trajetória da dívida - ainda mais importante para a precificação de mercado - reflete baixo compromisso do País com a estabilidade fiscal e até mesmo "leniência" com o nível de endividamento público. "O componente fiscal tende a permanecer nos próximos anos como impulsionador da economia, após as recentes revisões das metas oficiais para as contas públicas", observa o economista, destacando que a política monetária tem se movimentado gradualmente para condições menos restritivas.

De qualquer forma, a "foto" melhora quando se leva em conta que 90% da dívida está em mãos de credores domésticos, com perfil de vencimento mais concentrado no médio e longo prazo, e o País ainda conta com volume elevado de reservas externas, ressalva Lang.

"Os gastos públicos têm crescido acima da inflação, com reflexo para o endividamento bruto, que deve ficar acima de 77% do PIB. Essa dinâmica tende a se manter, sem ajuste pelo lado dos gastos, mesmo com o aumento das receitas materializado por iniciativas tomadas desde 2023", diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.