Ibovespa cai 0,46%, a 127,6 mil pontos, e cede 0,71% na semana

Como ontem, ainda que em grau moderado hoje, o Ibovespa manteve a desconexão do sinal externo, levemente positivo, e cedeu 0,46%, aos 127.599,57 pontos, mostrando perda de 0,71% na semana, após ganhos de 1,57% e de 1,12% acumulados nos intervalos precedentes. Nesta sexta-feira, o índice da B3 saiu de abertura aos 128.188,34 pontos, e oscilou dos 127.466,58 aos 129.021,93 pontos durante a sessão, com giro a R$ 22,9 bilhões. No mês, o Ibovespa avança 1,33% neste primeiro terço, limitando a perda do ano a 4,91%.

Poucos entre os principais carros-chefes do Ibovespa conseguiram evitar perda nesta última sessão da semana, com destaque para Itaú (PN +1,15%), que avançou 1,40% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. Foi a exceção positiva em uma semana ruim para as ações de grandes bancos, que chegaram a acumular revés de 4,32% (Bradesco ON) no mesmo intervalo. Hoje, Bradesco cedeu 0,08% (ON) e 0,59% (PN), enquanto Santander (Unit) também fechou em baixa de 0,59%, na mínima do dia. Por outro lado, Banco do Brasil (ON) limitou a perda da semana a 2,13%, ao avançar 1,77% na sessão.

As ações de instituições financeiras e de empresas associadas ao ciclo doméstico, como as de varejo, foram particularmente afetadas na semana pelos sinais ambivalentes do Banco Central sobre juros e inflação.

A decisão muito dividida do Copom, na noite de quarta-feira, veio em momento de preocupação com os impactos da catástrofe natural no Rio Grande do Sul tanto sobre os preços de alimentos como o arroz, no curto prazo, como quanto ao efeito, mais duradouro, nas contas públicas federais. Esforço financeiro precisará ser empreendido na reconstrução do Estado e no auxílio a famílias e empresas: algo longe de ser quantificável com as águas ainda altas, em momento no qual o esforço se mantém concentrado, naturalmente, no salvamento e no acolhimento da população.

"O mercado não assimilou bem a divergência de opiniões no Copom, a divisão interna, que se refletiu ainda hoje na fraqueza da Bolsa", diz Felipe Moura, analista da Finacap, contrapondo que a temporada de resultados trimestrais de empresas brasileiras foi em geral positiva, mas que o cenário macro, inclusive dos Estados Unidos, tem sido a palavra final na orientação dos negócios.

Dessa forma, a leitura relativamente benigna do IPCA de abril - acima do esperado para o mês, porém com composição favorável - foi recebida desde a manhã como dado de retrovisor, sem impacto no apetite por risco, à frente de uma próxima semana em que as atenções estarão voltadas, na terça-feira, para a ata do Copom e, no dia seguinte, para a inflação ao consumidor nos Estados Unidos, o CPI de abril.

Com a cautela definindo o tom neste fechamento de semana, a curva de juros doméstica e o dólar frente ao real mantiveram avanço, como ontem. Nos Estados Unidos, em entrevista à Bloomberg, a diretora do Federal Reserve Michelle Bowman afirmou que não considera apropriado o BC americano vir a reduzir juros ainda em 2024, apontando como fator adverso a inflação persistente nos primeiros meses deste ano. Em evento, ela também defendeu que o Fed se mantenha "cauteloso" enquanto busca fazer com que a inflação convirja para a meta de 2% ao ano.

Por outro lado, a ata da mais recente reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), divulgada nesta manhã, trouxe a informação de que uma parte dos dirigentes da instituição defendeu corte de juros na zona do euro já naquele encontro - formuladores da política monetária do bloco têm sinalizado que um corte inicial de sua taxa de juros deve ocorrer em junho.

No Brasil, a dinâmica dos núcleos, bens e serviços na leitura do IPCA de abril pode ser considerada benigna, avalia o economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa. E, a despeito da expectativa de aceleração do IPCA nos próximos meses por conta das enchentes no Rio Grande do Sul, o efeito tende a ser provisório, acrescenta o economista. "Serão choques que não devem mudar a trajetória favorável dos indicadores subjacentes da inflação", acrescenta.

Na B3, o dia foi de ajustes moderados e majoritariamente negativos nas principais ações. Vale ON fechou em baixa de 0,34%, com Petrobras (ON -0,76%, PN -0,22%) também no vermelho na sessão, embora em ajuste mais discreto do que a queda de 1,30% registrada pelo Brent nesta sexta-feira, em meio a receios quanto à demanda global. Na ponta perdedora do Ibovespa na sessão, destaque para Magazine Luiza (-7,78%), Petz (-5,24%) e Localiza (-5,15%). No lado oposto, Alpargatas (+3,31%), Allos (+2,96%) e Rumo (+2,54%).

O mercado moderou o otimismo quanto ao desempenho do Ibovespa na próxima semana, conforme o Termômetro Broadcast Bolsa. Na edição passada, 66,6% dos participantes indicavam alta para o índice nesta semana, porcentual agora em 44,4% para o período seguinte. E 22,2% mostram expectativa de estabilidade para a próxima semana, contra 33,3% no levantamento anterior. Por fim, 33,3% dos participantes esperam queda do índice nos próximos cinco pregões - fatia inexistente na semana passada.