Dirigente do Fed prega mais tempo para recobrar confiança, após dados de inflação no 1º tri

A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Cleveland, Loretta Mester, disse nesta quinta-feira, 16, que será necessário mais tempo para que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) ganhe confiança de que a inflação está desacelerando de volta à meta de 2%, após dados do primeiro trimestre "decepcionantes" indicarem uma pausa no processo desinflacionário.

Segundo ela, ainda há sinais de que a inflação está desacelerando, mas o repique trimestral assustou, e Mester diz estar preocupada com a possibilidade de este percalço ser transmitido às expectativas de inflação no médio e longo prazo. Uma expectativa mais elevada dificultaria - e até ameaçaria - o retorno à meta de 2% ao ano.

Em discurso ao Conselho de Desenvolvimento Econômico do Condado de Wayne, a banqueira central disse que a leitura do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de abril é boa notícia e dá maior convicção de que não haverá uma pausa ou uma virada no arrefecimento da alta de preços.

Ela ainda vê a inflação desacelerando, porém, os riscos estão mais elevados. Com isso, Mester afirma que o progresso deste ano será bem mais lento do que o visto na reta final de 2023, e por isso não haverá cortes de juros em um horizonte tão próximo, dado que o mercado de trabalho e a economia ainda robustos dão tranquilidade para o Fed agir sem pressa.

Questão fiscal

A presidente do Federal Reserve de Cleveland afirmou ainda que a trajetória fiscal nos Estados Unidos "não é sustentável" e terá de ser controlada. Segundo ela, isso não é urgente, no quadro atual, mas precisa ser resolvido mais adiante.

Com direito a voto nas decisões de política monetária neste ano, ela disse, em seu discurso preparado, que levará mais tempo para haver confiança de que a inflação caminha rumo à meta, após os dados vistos no primeiro trimestre.

Nas questões, Mester garantiu que a reunião de dirigentes do Fed não entra em questões políticas, como a eleição deste ano.

Ela também comentou que há "muito trabalho" em andamento no Fed sobre os desafios trazidos por sistemas de pagamento alternativos, além de dizer que não há ainda decisão sobre eventualmente emitir uma moeda digital de banco central (CBDC, na sigla em inglês).

Questionadas sobre mudanças no mercado de trabalho, como as potencialmente trazidas pela inteligência artificial, Mester se mostrou otimista, ao lembrar que esse tipo de alteração no quadro traz oportunidades.

A dirigente também comentou que o Fed tem avaliado a questão demográfica, com o envelhecimento populacional, e destacou como um desafio para Ohio reter talentos formados nas universidades do próprio Estado americano. Outro ponto citado por ela foi a "falta de moradia disponível, em todos os níveis de renda".