Altas em alimentos, celulose e refino pressionam IPP de abril, destaca IBGE

A alta de 0,74% nos preços dos produtos industriais na porta de fábrica em abril foi decorrente de elevações em 20 das 24 atividades pesquisadas, segundo os dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mês de abril, os aumentos de preços mais acentuados ocorreram em papel e celulose (3,99%), fumo (2,49%) e farmacêutica (2,10%). Já as principais quedas ocorreram em indústrias extrativas (-3,58%) e produtos de metal (-0,12%).

O setor de alimentos, com alta de 0,80%, exerceu a maior pressão sobre o índice nacional, contribuindo com 0,19 ponto porcentual para o IPP do mês. Houve influência de aumentos de preços nas cadeias derivadas da soja e da cana de açúcar.

"A soja está em fase de colheita, mas a safra tem produzido um volume menor que a do ano passado. Além dessa menor produtividade, o volume exportado no primeiro trimestre foi expressivo, ou seja, há uma menor disponibilidade da commodity para consumo doméstico. Nesse contexto, o óleo bruto respondeu à pressão de demanda associada à competição entre cadeias derivadas. O incremento da parcela adicionada de biodiesel no blend do diesel, a partir de março, incentivou a procura pelo derivado da soja para fabricação do combustível, aumento que foi acompanhado de um movimento de compra para garantia de estoques no setor de fabricação de alimentos", explicou Felipe Câmara, analista do IPP no IBGE, em nota oficial.

O IPP de maio trouxe pressão significativa também dos aumentos em papel e celulose (impacto de 0,12 ponto porcentual) e em refino de petróleo e biocombustíveis (alta de 0,79% e impacto de 0,08 ponto porcentual).

"O etanol foi determinante para esse aumento, a escolha das usinas em direcionar a moagem da cana para a produção de açúcar e o baixo patamar do preço relativo comparado à gasolina abriram espaço para remarcações de preço do álcool. O biodiesel, pressionado pelo custo de aquisição do óleo de soja, também contribuiu de forma relevante para a alta setorial", acrescentou o pesquisador.

Na direção oposta, as indústrias extrativas impediram uma alta maior no IPP de maio, ajudando a conter a taxa em -0,19 ponto porcentual.

"O resultado das indústrias extrativas é relacionado à cotação internacional do minério, em trajetória de queda recente. O preço internacional responde às expectativas de atividade econômica na China, em particular na demanda por aço nos setores de construção e infraestrutura, que são um termômetro importante para os contratos negociados. Mas não dá para perder de vista também que a expectativa de recuperação econômica no resto do mundo não é pujante, o que reforça esse contexto de precificação", justificou Câmara, na nota.