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Com a crise, Geração Y enfrenta ainda mais problemas no mercado de trabalho

SÃO PAULO – A taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos já atinge os 20%, segundo dados do IBGE de fevereiro deste ano. Esses jovens fazem parte da chamada Geração Y, a geração da internet, que compreende pessoas nascidas entre as décadas de 1980 e meados de 1990, e que vem enfrentando algumas dificuldades ao encarar o mundo corporativo.

Isso porque a competição no mercado de trabalho é uma das mais altas já vistas, e estes jovens, mesmo extremamente capacitados,  ainda têm pouca experiência lidar com a cultura corporativa.  "Algumas características da Geração Y criam um conflito com gestores e a própria empresa, como não saberem lidar com frustrações. Por isso eles têm menor estabilidade em um emprego e pulam de um para outro", explicou Eline Kullock, especialista em RH e Gerações. "Eles criam uma perspectiva de crescimento mais rápido dentro da empresa e isso ainda não acontece", completou. Isso, na atual recessão econômica do Brasil, acaba aumento a taxa de desemprego nesta faixa etária.

Maior desemprego
A rotatividade desses jovens nas empresas é cerca de três vezes maior do que a de profissionais com mais de 35 anos, apontou Sidnei Oliveira, expert em Conflito de Gerações e autor dos livros da série Geração Y. A causa disso é o fato de os jovens não se contentarem com os desafios que recebem, acreditam que têm a capacidade de lidar com coisas maiores.

São poucos os gestores e empresas que conseguem lidar com esse comportamento ansioso da geração e, a partir daí, para ambas as partes a saída do jovem profissional passa a ser o mais viável.

O especialista ressalta, entretanto, que neste ano esse comportamento deve mudar: "Agora os jovens começaram a perceber que arrumar um emprego não está tão fácil, por isso devem se manter mais tempo em uma mesma empresa e ter mais foco no trabalho. Além de que, os pais desse jovem também estão com dificuldades. Acabam não restando muitas opções", disse.

Parte da alta taxa de desemprego, ainda segundo Sidnei, tem a ver com a crise, em que existe a preferência por profissionais mais experientes e que apresentem mais resultados em menos tempo. O outro motivo é exatamente a causa do primeiro: a falta de vivência profissional não permite que o jovem entregue o que a empresa busca.

Além do desemprego, as remunerações mais baixas são outra questão debatida sobre a Geração no mercado de trabalho. "As empresas remuneram com base na entrega de resultados e o profissional de hoje entrega bem menos de início do que o profissional de antes", explicou Sidnei. "A empresa agora oferece muitos recursos facilitadores ao profissional, o que faz com que a entrega de resultados seja automatizada. Por isso os menores salários", finalizou.

E agora?
Ambos os profissionais concordam sobre qual deve ser a postura da empresa e do jovem profissional diante desse cenário: para a primeira, criar maior flexibilidade nos modelos de gestões para atender a parte dos desejos da Geração; o segundo, por sua vez, deve não tentar mudar a empresa ou ter exigências muito duras. O ideal é que cheguem ambos a um acordo.

Uma opção dos jovens é o empreendedorismo, principalmente pelos benefícios – não ter um chefe e nem horário fixo de trabalho – que ele oferece. Para Sidnei, essa opção é a mais sedutora, mas que também tem os seus custos. "Ao meu ver, isso é um indicativo da busca do jovem de um maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Já que as empresas invadem o pessoal com o profissional, ele também deseja o contrário", explicou. "A natureza da relação com o trabalho está mudando e os jovens são quem protagonizam isso. Eles oferecem o seu trabalho como um empreendimento", disse.

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