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O mundo mudou, a economia mudou: não chegou a hora do Federal Reserve mudar também?

SÃO PAULO - Não é exagero estimar que 99% dos participantes do mercado financeiro tem como principal preocupação descobrir quando o Federal Reserve elevará a taxa de juros nos EUA, tendo em vista o impacto que isso pode trazer no fluxo de dinheiro - que poderia deixar os países emergentes e migrar para a principal economia do mundo. Mesmo que essa estimativa esteja certa, temos presenciado um interessante debate por parte "daquele 1%" que pode mudar o futuro da política monetária do país. 

Na última semana, um dos integrantes mais influentes do Federal Reserve, John Wiliiams (Fed de San Franscisco), disse que os BCs  precisam adotar novos instrumentos de política monetária. Isso por que o nível de taxas de juro não estimula nem retarda a economia norte-americana, que vive um "novo normal" diante do menor crescimento e "taxas de juros neutras" (que permitem crescimento sem impacto inflacionário) mais baixas. N este novo ambiente, a baixa meta de inflação (que é de 2,0%) não faz mais sentido, conclui Williams.

O diretor do Fed de San Francisco sugere duas possibilidades de mudanças para o Fed: elevar a meta de inflação de 2,0% medida pelo PCE (Personal Consumption Expenditure); ou alterar a meta para um outro índice de preço ou para o um indicador de crescimento econômico. 

Vale destacar a importância de Williams na direção da política monetária dos EUA: o dirigente do Fed de San Francisco é bem próximo da presidente do Fed, Janet Yellen, tendo inclusive ajudado a manter baixas as expectativas de alta de juros.

Bullard e até um "Nobel" pedem mudanças
Williams, aliás, não foi o único a defender mudanças. Em meados de junho, James Bullard (dirigente do Fed de Saint Louis) mostrou pessimismo sobre o crescimento e disse que fazer proteções econômicas já não é mais útil. Para ele, a economia dos EUA está presa em um padrão de crescimento que se manterá por um longo período, e por isso diminuiu sua projeção de elevação de juros para apenas uma alta em 2016, ressaltando ainda que o país pode viver com apenas uma  única alta adicional na taxa até o final de 2018.

Mas não foram só integrantes do Fed que pediram por mudanças. Em entrevista à Bloomberg TV, o prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, afirmou que a política monetária não está sendo efetiva e que a meta de inflação deveria ser elevada.   Em meio às indicações do Fed de que pode mudar a sua política, Krugman destacou que está meio cético quanto a isso, uma vez que boa "parte disso" é só história, sendo bastante difícil um recuo depois de todo o trabalho que foi feito para colocar a inflação em primeiro lugar. Assim, mesmo com todas as indicações, a autoridade monetária pode manter o que já vem fazendo.

Enquanto essas mudanças estão no campo das ideias, precisamos nos preocupar com o "vai-e-vem". Por isso, vale a pena acompanhar o evento anual Jackson Hole entre os dias 26 e 29 de setembro, no Janet Yellen pode trazer novas "pistas" sobre qual será a direção dos juros dos EUA nas próximas reuniões.

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