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"Fui para o tudo ou nada e ganhei 800% com opções da Petrobras", conta Fernando Góes

SÃO PAULO - Se há uma forma de você dar uma grande tacada na Bolsa, acredito que a mais provável seja com opções, diz o analista técnico Fernando Góes, da Clear Corretora, que está no mercado financeiro há 20 anos, mas dedicou boa parte desse período ao mercado de opções.

"Sempre achei que precisava achar o momento das opções e ter coragem de apostar forte nisso". Seu momento chegou em 2008. Ele já tinha passado por muitos solavancos na Bolsa: momento em que acreditava que iria ficar rico, mas pouco depois perdeu tudo.

Mas um OCO (Ombro-Cabeça-Ombro) invertido no Ibovespa e um 'W' em Petrobras - padrões gráficos que sinalizam mudança de tendência - o mostraram que aquele era o momento certo. 

"Fui para o tudo ou nada, ganhei 800% com opções de Petrobras e pude dar entrada em um apartamento. Foi ali que considero que mudei de patamar", conta. O negócio foi realizado um pouco antes do Brasil receber o título de "investment grade", na última pernada de alta do Ibovespa.

 "Consegui zerar a operação no topo da Petrobras. Só encerrei porque apareceu um sinal muito gritante no gráfico. Aguentei bastante tempo comprado nessa opção e foi a grande tacada da minha vida", comenta Góes. No dia 21 de maio, a estatal fez seu topo na Bolsa aos R$ 41,15, que a levou depois para queda de 68% até o dia 21 de novembro. 

O suporte psicológico necessário para arriscar nesse momento só veio por conta de um trade realizado no ano anterior. Em 2007, o gráfico de Petrobras havia saltado aos seus olhos. Uma sequência de rompimentos de topos o levaram a encher o carrinho em opções da estatal.

"A volatilidade dos contratos estava muito alta. Comprei um contrato a R$ 4 para ficar mais 'dentro do dinheiro' (quando o preço do exercício da opção está 'dentro' do valor atual da ação), para tirar um pouco do VE (valor extrínsico). Coloquei todo meu dinheiro lá e quando atingiu 100% fiquei incomodado e zerei", conta. Ele só não sabia o que poderia vir horas depois: no dia seguinte, a Petrobras descobriu o pré-sal e essa opção foi para perto de R$ 28,00.

"Se por um lado foram os piores 100% da minha vida, só ficava pensando quanto poderia ter ganhado se não tivesse zerado (exatos 600%), por outro eu pensava que se tinha uma forma se ganhar uma grana no mercado era com isso", lembra. 

O começo de tudo
Q uando teve coragem para arriscar uma grana mais pesada no mercado, Góes já tinha uma larga experiência na Bolsa, principalmente em opções, sua paixão desde sua primeira operação.

Foi por influência do seu irmão que iniciou no mercado, em 1997, quando matava aulas para acompanhar o pregão dentro da corretora que ficava no mesmo prédio que sua faculdade. "Vi meu irmão operando e me encheu os olhos aquilo". 

A primeira operação veio do dinheiro recebido em seu aniversário. "Peguei o dinheiro que tinha ganhado, uma fortuna na época de R$ 300,00, e comprei tudo em opções da Celesc a R$ 0,02. Em poucas semanas, zerei a operação com ganho de R$ 0,12 e foi assim que nunca mais larguei o mercado financeiro". 

Em cerca de um ano, ele conseguiu transformar aqueles R$ 300,00 em R$ 9.000,00, entre trades com opções, termos e no mercado futuro, um ganho de 2.900%. "Achava que ia ficar rico. O problema é que termo é uma ferramenta de alavancagem bem perigosa. Estourou a crise da Ásia e eu estava cheio de termo. Perdi tudo e ainda fiquei devendo R$ 1.000,00 na corretora. Foi meu irmão precisou vir me cobrir", lembra. 

Depois do susto, ele decidiu partir para alguns cursos no mercado e ficou fascinado com a análise técnica. Naquela época, ele conseguiu o primeiro emprego na tesouraria de uma asset. "Meu salário era uma porcentagem do que eu ganhava nas operações". Segundo ele, a grande experiência foi ver a diferença entre ver um gráfico bem e saber operar, ter disciplina, controle emocional para realmente ganhar dinheiro com gráfico. "Ganhei um dinheiro que ainda não tinha visto e, de novo, achei que fosse ficar rico, que encontrei a coisa da minha vida". Mas. por conta de alguns problemas pessoais, ele teve seu primeiro mês no negativo e depois foi muito difícil recuperar e passar a ganhar dinheiro. "Foi aí que, na prática, descobri a importância de psicologia para operar. Isso eu estava com 21 anos", conta.

A reviravolta no mercado veio através de uma  parceria com um amigo: ele entrou com o trade e o amigo com o dinheiro. O ganho de Góes vinha de uma porcentagem do lucro gerado nas operações. "Vi um OCO invertido enorme nos gráficos de Telemar e precisa operar aquilo". Ele comprou R$ 2.000 em ações da companhia. Seis meses depois, essa quantia havia se transformado em R$ 100.000,00 - um ganho de 4.900%. "E foi aí que surgiu uma grande parceria".

Desse período, ele leva uma grande lição: " existe uma grande diferença quando você dá o clique, quando você tem o poder da decisão sobre o seu dinheiro, e quando você dá o call para outra pessoa. Você fica muito mais responsável e disciplinado nessa situação".

O importância da "grande tacada"
Garantir um trade de sucesso em 2008 foi importantíssimo para os anos seguintes. Em 2010, 2011 e 2012, a Bolsa degringolou e vieram anos de "vacas marcas". " Tivemos três anos muito difíceis para operar tendência, swing trade. Mas isso serve para provar que o mercado é assim mesmo. Tem momentos bons e ruins". 

Os bons ventos voltaram entre março e setembro de 2014, quando o Ibovespa subiu quase 40% em meio ao rali eleitoral. "Tivemos anos de vacas magras, mas em 2014 voltei a ganhar. Foi um dos períodos de maior aprendizado que tive com opções. Eu abri minha cabeça a respeito de estratégias com trava, eu sempre operava à seco, e isso me fez entender que por mais que estratégias com trava pareçam ruins em um primeiro momento, você consegue maximizar seu ganho muito mais e aguentar a pressão do mercado". 

Esse ano não tem sido diferente. "Em 2016, tivemos várias oportunidades de ganhar dinheiro e eu, apoiado no gráfico, acredito que o mercado mudou mesmo. Não víamos um momento tão promissor quanto estamos vendo nos gráficos longos desde 2009". Para ele, o momento para operar é esse. "O mercado nunca esteve tão bem preparado para que tenhamos alguns anos de bonança, de oportunidades no mercado.  E eu, particularmente, acredito que quando surge uma oportunidade, essa é a hora de você estar preparado para dar sua grande tacada".

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