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"Investimento em venture capital é o melhor no longo prazo", crava executivo

SÃO PAULO – O que praticamente toda empresa de sucesso nascida nas últimas décadas tem em comum? Inovação, dedicação, bom timing e um pouco de sorte certamente são algumas dessas características, mas não as únicas. Muitos negócios que hoje são grandes companhias de sucesso, em seus primeiros passos, contaram com o impulso financeiro de fundos de venture capital.

Ainda não tão conhecida entre os brasileiros, essa modalidade de investimento pode conciliar uma boa rentabilidade para quem aplica nesse tipo de fundo com a chance de fomentar novas empresas e inovação no país. "O fundo de venture capital é a chance de aplicar na economia real, de apostar em negócios de valor que podem crescer muito", comenta Paulo Sérgio Caputo, sócio da Ória Capital, empresa de private equity que conta com um fundo de venture e está em processo de abertura de outro fundo com essa característica. 

O executivo, que participou de café da manhã com clientes da XP Investimentos, comenta que esse tipo de investimento deve ser feito por clientes que pensam no longo prazo. "Na verdade, o investimento em venture capital é o melhor investimento de longo prazo que se pode fazer. Melhor que o mercado de ações, inclusive, ele se mostra muito mais rentável", pontua. Esse tipo de investimento, além de estar mais ligado a um prazo maior, também é associado com investidores com maior capital.

A Ória Capital, por exemplo, não aplica em empresas embrionárias ou que estão ainda em seus primeiros passos. Seu foco é em companhias que já contem com um faturamento entre R$ 15 milhões e R$ 150 milhões. "Assim, nós conseguimos trazer uma segurança um pouco maior para nossos investidores. A aplicação não é feita em companhias muito pequenas e que podem trazer mais riscos", comenta o executivo.

A empresa investe exclusivamente em companhias de tecnologia que trabalham no setor business-to-business, ou seja, empresas que fornecem soluções para outras empresas. O executivo comenta que esse tipo de escolha ajuda a selecionar negócios que de fato sejam mais inovadores, escaláveis e rentáveis.

Fora isso, a Ória Capital detém apenas participações minoritárias nas companhias que aplicam, por isso, outro critério de escolha do fundo é por empresas que sejam geridas por um time sólido e competente, para, assim, garantir mais chances de sucesso. O primeiro fundo da companhia captou R$ 175 milhões e conta com um tíquete mínimo de entrada de R$ 1 milhão. Desde sua abertura, em 2012, ele conta com uma rentabilidade média de 25% ao ano, isso mesmo em meio ao cenário atual de forte crise econômica no país.

A crise no Brasil, aliás, marcada por uma forte queda na atividade econômica, não parece assustar os operadores do mercado de venture capital. Pedro Sirotsky, diretor da E.Bricks Venture, comenta que enxerga o momento do país e a sua característica de ser altamente burocrático como mais um fator a ser equacionado pragmaticamente na hora de investir. "Não adianta adotar uma postura de apenas se lamentar", crava.

A E.Bricks conta com um foco em empresas menores, com faturamento de até R$ 15 milhões, em quatro setores específicos: saúde, educação, financeiro e pequenos negócios, o que permite buscar uma grande variedade de empresas. Outro diferencial, nesse caso, é que a companhia busca investidores que tenham relação com os mercados que ela investe. Assim, é possível contar com a expertise de outras pessoas para avaliarem se os negócios estão indo no caminho correto.

Para Paulo Caputo, da Ória Capital, o Brasil ainda é um país que oferece muitas oportunidades para investir, com forte potencial de crescimento. Um cenário de queda de juros, como é previsto para cá nos próximos anos, ajudaria ainda mais a desenvolver o mercado de venture capital, ajudando a atrair participações mais vultuosas de investidores como os fundos de pensão, explica, o que faz com que esse ainda seja um mercado que, apesar de embrionário, se torna cada vez mais relevante para o investidor brasileiro.

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