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Gigantes do setor de Educação investem em aquisições para melhorar resultados

14/11/2019 19h06

Por Paula Salati

O lucro de grande parte das empresas de educação registrou queda no terceiro trimestre de 2019, mas muitas conseguiram elevar a sua base de alunos e a captação de novos estudantes, com destaque para o ensino à distância (EAD). A Yduqs (Ex-Estácio de Sá) e a Ser Educacional, por exemplo, informaram que tiveram recorde em sua captação de alunos nos balanços divulgados nos últimos dias.

O recuo dos ganhos veio, em parte, na esteira da própria expansão do EAD, cujo ticket médio é menor do que no ensino presencial, avalia Paulo Presse, coordenador da Área de Estudos de Mercado da Hoper Educação. Enquanto o ticket médio do ensino presencial corresponde, no Brasil, a R$ 799,88, a referência da educação à distância é de R$ 259,90.

Segundo Presse, as aquisições que estão sendo realizadas este ano pelas grandes empresas da área de educação fazem parte da estratégia delas de tentar apresentar resultados melhores aos seus acionistas. Essas companhias ainda se recuperam da forte recessão de 2015 e 2016 e da retração do Fies.

Sinais positivos à frente

Essas estratégias podem se refletir em resultados melhores no quarto trimestre de 2019, porém, devido à persistente fraqueza da atividade econômica e do elevado nível de desemprego, a expectativa é de que o setor continue ainda muito pressionado até 2021. "Existe uma correlação direta entre a geração de novos postos de trabalho e a ampliação de matrículas, especialmente no ensino superior", diz Presse.

O segmento como um todo acumula três anos seguidos de queda no total de matrículas EAD e presencial: 2016 (-2,6%), 2017 (-0,8%) e 2018 (-3,4%), segundo dados do Ministério da Educação (MEC), organizados pela Hoper Educação. A expectativa é de que o setor ainda registre diminuição das matrículas este ano. Essa projeção leva em conta todo o mercado privado de ensino superior, incluindo as empresas que não estão listadas na bolsa.

"Com o cenário econômico ainda fraco, estamos em um momento de competição bastante acirrada no mercado de graduação", afirma Presse. "Por conta disso, começam a ocorrer as aquisições. Isso faz parte de uma preocupação estratégica para que as companhias possam apresentar melhores resultados aos seus acionistas. Na outra via, as universidades menores também começam a se sentir mais pressionadas pelos grandes grupos, na medida em que os seus desempenhos vão ficando aquém do esperado", acrescenta.

A receita líquida do mercado de ensino superior era de R$ 58,7 bilhões em 2016, e recuou para R$ 58,7 bilhões em 2017, e para R$ 56,5 bilhões em 2018. Na avaliação de Presse, as aquisições devem continuar no próximo período, mas estas não devem Ser muito grandes. O que se espera, na verdade, são compras onde haja mais sinergia entre as empresas.

Aquisições do setor educacional

Recentemente, a Yduqs adquiriu a Unitoledo e a Adtalem (dona da Ibmec), enquanto a Cogna (antiga Kroton) comprou a Somos a Educação. Já a Ser Educacional adquiriu a Uninorte, ao passo que a Ânima Educação comprou o Centro Universitário Ages (UniAges) em agosto deste ano. A Ânima informou ainda na quarta-feira (12/11) que fez um acordo de parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), prevendo até mesmo a opção para assumir administração da instituição catarinense em janeiro de 2021.

Luis Sales, analista da Guide Investimentos, comenta que as companhias têm se movimentado bastante para conseguirem tanto expandir como evitar a evasão de alunos. "Mas, neste mercado, tudo depende do cenário macroeconômico mesmo: de uma queda forte da taxa de desemprego, da volta da confiança e dos investimentos", diz Sales. "Só assim veremos resultados mais robustos no segmento educacional", reforça. Ele também projeta uma melhora mais expressiva do setor só depois de 2021.

Presse volta a explicar que o aumento da receita do setor depende da expansão de matrículas no ensino presencial, onde o ticket médio é maior do que o EAD. Enquanto o desemprego continuar em alta e a renda não crescer, aqueles que optarem por cursar uma graduação, vão preferir fazer à distância, pois pagarão menos por isso. Presse lembra ainda que existe a possibilidade de estratégia das empresas de oferecerem cursos semipresenciais. Esses, segundo ele, teriam, em média, um ticket médio que é o dobro do EAD, porém duas vezes menor do que o presencial.

Resultado da Yduqs

O lucro líquido da Yduqs (SA:YDUQ3) caiu 18,3% no terceiro trimestre de 2019, em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando R$ 158,8 milhões. Porém, a companhia bateu recorde na captação de alunos, com destaque para o ensino à distância.

Somente nesta modalidade, houve alta de 62% (+86,6 mil alunos) entre os meses de julho e setembro, contra igual período de 2018. No total, a Yduqs alcançou 267 mil alunos matriculados no EAD, uma expansão anual de 25,8%.

Já na modalidade presencial, a captação de alunos cresceu 20% (+45,7 mil alunos). No total, a base de alunos da companhia cresceu 8%, para 575 mil estudantes.

Resultado da Ser Educacional

O lucro líquido ajustado da Ser Educacional (SA:SEER3) atingiu R$ 36,2 milhões no trimestre, uma redução de 18,8% em comparação aos R$ 44,6 milhões registrados em igual período de 2018. Por outro lado, a captação de alunos para o terceiro trimestre foi recorde para o período de julho a setembro, com crescimento de 29,2% na captação de alunos de graduação presencial e de 120,9% na graduação à distância.

Ao final do terceiro trimestre de 2019, foram matriculados 33,7 mil novos alunos de graduação em comparação a 22,0 mil novos alunos no mesmo período em 2018, o que representa um crescimento de 53,6%, em relação à captação realizada no terceiro trimestre de 2018.

A base total de alunos apresentou crescimento de 10,2%, passando de 146,9 mil alunos para 161,8 mil alunos entre 2018 e 2019. Isso ocorreu, principalmente, pelo crescimento da base de alunos EAD (graduação + pós-graduação) em 83,1%. Ao final do terceiro trimestre de 2019, a companhia contava com 244 pólos de Ensino à Distância, um aumento de 16,7% em comparação aos 209 pólos abertos até o final do terceiro trimestre de 2018.

Resultado da Ânima Educação

Já a Ânima Educação (SA:ANIM3) encerrou o terceiro trimestre de 2019 marcando um prejuízo de R$ 2,5 milhões, retração de 85% quando comparada ao prejuízo de R$ 16,6 milhões registrado no mesmo período do ano passado. O resultado líquido foi impactado em R$ 6,4 milhões pela nova norma contábil IFRS 16. Porém, ao descartar esse efeito, a empresa teria lucro de R$ 3,9 milhões.

Em seu balanço, a companhia afirmou que houve mais um recorde na redução das suas taxas de evasão, com crescimento de 10,3% na base de alunos, atingindo 112,8 mil matrículas no segundo semestre de 2019 (ou +5,0% e 107,3 mil alunos excluindo a AGES). "A contínua melhora nas taxas de retenção, especialmente impactadas pelos resultados de um dos projetos de transformação digital J2A [Jornada do Aluno Ânima], é mais um importante indicador da maturidade de nossos processos de gestão", afirmou a companhia.

Resultado da Cogna

Já a Cogna (SA:COGN3)anunciou que teve um lucro líquido ajustado de R$ 208,6 milhões no terceiro trimestre de 2019, uma queda de 41,6% sobre o resultado de um ano antes. Porém, a companhia afirmou que espera cumprir suas estimativas de desempenho para o ano, ao prever um resultado mais forte para o quarto trimestre deste ano.

A empresa disse que o desempenho do terceiro trimestre foi impactado por maiores despesas financeiras por causa de dívida contraída para aquisição da Somos. Houve aumento de níveis de depreciação e amortização e menor resultado operacional "dadas às pressões de base verificadas no ensino superior e à diferente sazonalidade do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) no ensino básico".

Desconsiderando as receitas de recompras de livros do PNLD, a empresa afirmou que o lucro líquido do terceiro trimestre foi de R$ 135 milhões, um tombo de 62,2% na base anual.

O resultado operacional da empresa recuou 11,3% no terceiro trimestre na comparação anual, para R$ 610,6 milhões. O resultado financeiro veio negativo em R$ 246 milhões ante R$ 58,3 milhões em despesas um ano antes.

A Cogna terminou setembro com captação de 64 mil alunos de ensino presencial de graduação, estável sobre o terceiro trimestre de 2018. A evasão, porém, subiu 1 ponto percentual, para 13,9% e a base encolheu 7,4%, para 341,95 mil estudantes.