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Empresas dizem que ações contra obesidade não são apenas marketing

Aiana Freitas

Do UOL, em São Paulo

09/10/2013 06h00

Grandes fabricantes de alimentos e refrigerantes têm investido em ações contra a obesidade no mundo todo. Entre as iniciativas adotadas por elas, estão a redução de sódio e açúcar em seus produtos e a criação de campanhas publicitárias nas quais estimulam a adoção de uma vida saudável.

Especialistas em nutrição e direitos do consumidor dizem que essas ações têm muito marketing e poucos benefícios reais.

As empresas, no entanto, afirmam que suas iniciativas têm resultados práticos e vão além da propaganda. Elas dizem que se sentem "obrigadas" a liderar o movimento pela vida saudável por serem líderes em seus mercados.

McDonald's retira refrigerante da publicidade

No fim de setembro, a rede McDonald's anunciou a retirada dos refrigerantes da publicidade do kit McLanche Feliz. Os refrigerantes poderão ser incluídos no pedido das crianças, mas os anúncios, agora, são feitos apenas com copos de suco ou água.

Desde o ano passado, o McLanche Feliz também oferece frutas, como maçã, de sobremesa. A empresa diz ainda que, de 2011 até agora, reduziu em 10% a quantidade de sódio nos seus pães.

"Para chegar a essa redução, demoramos dois anos, porque a ideia era reduzir a quantidade de sódio sem que o consumidor percebesse alteração de produtos. O sódio não só dá gosto ao produto, como também influencia na consistência e na aparência", diz Hélio Muniz, diretor de comunicação do McDonald's.

Para Muniz, as medidas vêm se mostrando necessárias diante das mudanças percebidas na sociedade. "Toda vez que a sociedade muda, nós, como empresa, temos de acompanhar. Como somos líderes de mercado, os olhos estão voltados mais para nós do que para os concorrentes, então temos obrigação de puxar as mudanças."

Muniz nega, no entanto, que a empresa esteja assumindo culpa na questão da obesidade. "Nossa crença é de a que a obesidade está mais ligada a hábitos não saudáveis, como sedentarismo e falta de atividade física, do que ao consumo de alimentos. Como existe esse problema, temos de oferecer opções mais saudáveis para as pessoas."

Coca-Cola faz campanha contra obesidade

Recentemente, a Coca-Cola também anunciou medidas  contra a obesidade. A empresa não faz mais propagandas direcionadas a menores de 12 anos, intensificou a venda de refrigerantes, sucos e chás com menos calorias e colocou em prática programas que estimulam os consumidores e fazer atividade física.

Assim como o McDonald's, a empresa diz que não vê o refrigerante como verdadeira causa da obesidade, mas se sente no dever de tomar a frente da discussão.

"Nosso foco é tornar a empresa parte de uma solução para as grandes questões de saúde do século 21. Queremos que a companhia ajude o mundo a se tornar mais saudável. Acreditamos que faz parte do nosso trabalho educar a sociedade com relação a isso", disse Marco Simões, vice-presidente de comunicação e sustentabilidade da Coca-Cola no Brasil.

Unilever tira sódio, açúcar e gordura

A Unilever, dona de marcas como Hellmann's, Knorr e Kibon, diz que busca diminuir a quantidade de gordura saturada e trans, sódio e açúcar nos seus produtos. A empresa faz testes para tentar evitar que o consumidor sinta a mudança no paladar.

"Acreditamos que o problema está mais na forma de se alimentar do que no produto em si. O Brasil, nos últimos anos, teve uma piora na qualidade nutricional, e, como empresa, a gente acha que tem o papel de ajudar o consumidor a ter alimentação saudável", diz Ana Paula Duarte, diretora de marketing de alimentos da Unilever.

A empresa também vem tentando promover a maionese Hellmann's como aliada em receitas culinárias. Nem sempre com sucesso. No ano passado, uma propaganda chegou a ser retirada do ar pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) depois de consumidores reclamarem do tom “saudável” da campanha.

"A maionese industrializada pode ser considerada saudável, porque é feita com óleo vegetal, gorduras insaturadas e ovo pasteurizado. Mas ainda existem muitos mitos com relação ao produto, que é visto pelo consumidor como era há 50 anos. É difícil passar a mensagem de que algo é completamente diferente da percepção que o consumidor tem", diz Ana Paula.

"Os consumidores não têm grande entendimento de saudabilidade, e nós temos o papel de ajudar nessa educação, até porque é interesse nosso que a população se desenvolva de forma saudável."

Nestlé reformula produtos

A Nestlé também tem reformulado produtos para reduzir o açúcar, o sódio e adicionar vitaminas, minerais e fibras e compostos, sem comprometer o sabor.

A Cereal Partners Worldwide (CPW), joint venture da Nestlé com a General Mills, prometeu reduzir o teor de açúcar de 20 marcas de cereais matinais da Nestlé, mundialmente. São as marcas mais consumidas por crianças e adolescentes. A meta é chegar a 9 gramas de açúcar ou menos por porção, até 2015. As mudanças farão com que os cereais matinais da Nestlé tenham uma redução nos níveis de açúcar de até 30%.

Outro exemplo é o plano desenvolvido para a redução do sódio em produtos culinários. Segundo a Nestlé, entre 2010 e 2011 produtos como temperos, sopas, caldos e linhas Lamen tiveram, juntos, uma redução de 149,95 toneladas de sal em sua composição.

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