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BC mantém juros em 14,25% ao ano e interrompe sequência de sete altas

Getty Images
Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

02/09/2015 20h24Atualizada em 21/10/2015 12h33

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, manteve a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano, interrompendo uma sequência de sete altas consecutivas. A decisão foi unânime. 

Veja as taxas de juros mais recentes:

  • set/2014: 11%
  • out/2014: 11,25%
  • dez/2014: 11,75%
  • jan/2015: 12,25%
  • mar/2015: 12,75%
  • abr/2015: 13,25%
  • jun/2015: 13,75%
  • jul/2015: 14,25%
  • set/2015: 14,25%

'Manter-se vigilante'

O Copom reforçou a necessidade de manter os juros nesse patamar por um "período suficientemente prolongado" para levar a inflação à meta no fim de 2016 e afirmou que a decisão aconteceu "avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos", segundo o comunicado da autoridade monetária.

O BC já havia sinalizado o fim do ciclo de alta nos juros, mas tem alertado sobre a necessidade de manter-se vigilante em caso de desvios significativos das expectativas de inflação.

O discurso de atenção foi reforçado recentemente pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, ao afirmar no fim de agosto que a política monetária terá viés conservador por período prolongado e que é preciso "muita calma", "sangue frio", "paciência" e "perseverança" neste processo.

Economia em situação difícil

A economia brasileira está em uma situação difícil. De um lado, o país entrou em recessão, que deve se estender até o próximo ano, segundo expectativas do mercado. De outro, a inflação em 12 meses se aproxima de 10% e o dólar, que encarece os produtos importados, chegou ao nível mais alto em quase 13 anos nesta quarta-feira. 

Além disso, com dificuldades de aprovar medidas de ajuste fiscal no Congresso, o governo praticamente desistiu de equilibrar as contas públicas no próximo ano.

Sem surpresas

A decisão veio dentro do esperado por analistas de mercado. Praticamente todos os analistas consultados pela agência de notícias Reuters e pelo jornal "Valor Econômico" acreditavam que o BC iria manter os juros em 14,25% ao ano, em meio à forte recessão da economia. 

Os economistas consultados pelo BC semanalmente, para a produção do Boletim Focus, estimam que a Selic fechará o ano nos mesmos 14,25%, e cairá para 12% em 2016.

Como o seu bolso é afetado?

  • Como os juros continuam altos, ainda está caro pegar empréstimo ou financiamento;
  • Pode ficar difícil conseguir emprego porque as empresas investem menos;
  • A poupança rende com seu potencial máximo. Quando a Selic está igual ou inferior a 8,5% ao ano, rende menos. Como está acima, vai dar 6,17% ao ano mais a TR;
  • Os juros altos aumentam o rendimento com investimentos em certos títulos públicos, por exemplo o Tesouro Selic.

O que é a taxa Selic?

  • É a taxa básica da economia, serve de referência para juros e para remunerar investimentos corrigidos por ela;
  • Não representa os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos;
  • Por exemplo, segundo os últimos dados divulgados pelo BC, a taxa de juros do cheque especial em julho chegou a 246,9% ao ano e os juros do rotativo do cartão de crédito, a 372,1% ao ano.

Por que os juros sobem?

  • Para tentar diminuir a inflação. As pessoas tendem a gastar menos e isso faz o preço das mercadorias cair, em tese.

Quais as vantagens dos juros altos?

  • Tende a reduzir a inflação;
  • Investimentos baseados em juros rendem mais para o aplicador.

Quais as desvantagens?

  • As empresas investem menos, porque fica caro tomar empréstimos para produção;
  • Isso aumenta o desemprego;
  • As pessoas também reduzem seus gastos, porque o crediário fica mais caro;
  • Essa situação deixa a economia com menos força, o que afeta o PIB (Produto Interno Bruto).

O que é o Copom?

  • O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer a política monetária e definir a taxa de juros;
  • Antes do Copom, a Selic já era usada como indicador desde 1986;
  • As reuniões ocorrem a cada 45 dias em Brasília;
  • O comitê é integrado pelo presidente e por diretores do Banco Central.

(Com Reuters)

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