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BC deixa juros em 14,25% pela 5ª vez e cita riscos e incertezas internas

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Do UOL, em São Paulo

02/03/2016 19h36

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), decidiu  manter a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano. Foi a segunda reunião do ano. Os juros estão nesse nível desde julho do ano passado. É a quinta reunião seguida em que a taxa foi mantida no mesmo nível.

A decisão foi dividida: 6 votos a 2. Dois integrantes do comitê queriam aumentar os juros em 0,5 ponto percentual, indo a 14,75%.

Segundo nota do BC, a decisão ocorreu "avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, e considerando as incertezas domésticas e, principalmente externas".

A Selic influencia todos os juros do país, mas é só uma referência: as taxas cobradas dos consumidores são muito mais altas. Economistas dizem que poupança está ruim como investimento, e o melhor é a renda fixa. 

Veja as taxas de juros definidas nas últimas reuniões do BC:
  • mar/16: 14,25%
  • jan/16: 14,25%
  • nov/15: 14,25%
  • out/15: 14,25%
  • set/15: 14,25%
  • jul/15: 14,25%
  • jun/15: 13,75%
  • abr/15: 13,25%
  • mar/15: 12,75%
  • jan/15: 12,25%

Previsões

A maioria dos analistas de mercado consultados pela agência de notícias Reuters e pelo jornal "Valor Econômico" apostavam na manutenção da taxa.

"Não há dúvida alguma sobre essa reunião do Copom. É um não-evento", afirmou o operador de uma corretora nacional à Reuters.

Os economistas consultados pelo BC semanalmente para o Boletim Focus estimam que a Selic fechará o ano em 14,25% e cairá para 12,50% no ano que vem.

Juros X Inflação

Os juros são usados pelo Banco Central para tentar controlar a inflação. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a caírem. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo. 

A meta é manter a inflação em 4,5% ao ano, podendo variar entre 2,5% e 6,5%.

No momento, a inflação está bem acima do limite máximo: chegou a 10,84% em 12 meses, segundo os dados mais recentes, da prévia da inflação (IPCA-15) em fevereiro. 

Porém, os juros também estão altos e o país está em recessão. Se o BC subir ainda mais os juros, corre o risco de fazer a economia encolher ainda mais.

Juros para o consumidor são mais altos

A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. 

Ela não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.

Segundo os últimos dados divulgados pelo BC, a taxa de juros do cheque especial em janeiro chegou a 292,3% ao ano e os juros do rotativo do cartão de crédito, a 439,5% ao ano.

Como sua vida é afetada pelos juros altos?

  • Empréstimos e financiamentos ficam caros (prestação de uma geladeira ou um carro);
  • Sobe o desemprego porque as empresas investem menos;
  • As pessoas cortam gastos. Isso ajudaria a reduzir a inflação;
  • A economia enfraquece (o PIB, Produto Interno Bruto, cai);
  • A poupança rende com seu potencial máximo. Quando a Selic está igual ou inferior a 8,5% ao ano, rende menos. Como está acima, vai dar 6,17% ao ano mais a TR;
  • Os juros altos aumentam o rendimento com investimentos em certos títulos públicos, como o Tesouro Selic.

(Com Reuters e Valor)

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