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Atolado em dívidas? Sua casa garante empréstimo barato, mas tenha cuidado

Giovanny Gerolla

Colaboração para o UOL, de São Paulo

  • Stock Images

As contas vão se acumulando e os vencimentos, chegando. A poupança já foi zerada, fundos de investimentos liquidados, o carro vendido -a única coisa que resta para tirar o nome do cadastro de inadimplentes é a casa própria. Em outras palavras, é hora de se organizar, e substituir todas as dívidas por uma só.

Refinanciar seu imóvel é uma opção muito mais barata que cartão de crédito, crédito pessoal e até mesmo que o empréstimo consignado, apontado em geral como os juros mais baixos do mercado.

Os juros são de 13,35% ao ano. O cartão de crédito, que é o mais caro, tem juros de 447,44% ao ano (dados de junho). O empréstimo consignado cobra 29,84% ao ano.

"É a taxa mais baixa: média de 1,5% ao mês, corrigidos pelo IPCA ou pelo IGP-M, quando pós-fixados. Nada é mais baixo que isso", compara Everton Braga, consultor do serviço de financiamento imobiliário Melhor Taxa.

Compare as taxas de financiamento

Datawrapper/Anefac/Melhor Taxa

O refinanciamento pode ser feito mesmo que o imóvel não esteja quitado. O procedimento burocrático é o mesmo do financiamento, com avaliação do bem, análise de renda, assinatura de contratos e registro em cartório.

A espera para liberação do dinheiro é de cerca de 45 dias. O nome da operação é empréstimo com imóvel como garantia por alienação fiduciária.

A regra é que bancos ou financiadoras liberem até 50% do valor de mercado do imóvel, a partir de um valor mínimo de R$ 50 mil para o contrato. Dependendo do banco, o contrato pode chegar a até R$ 3 milhões.

Hipoteca não é mais usada

Segundo Giovani Antonio Silva Brito, coordenador de monitoramento do mercado de crédito do Banco Central do Brasil, bancos não usam mais hipoteca nas operações de financiamento ou refinanciamento de imóveis, porque na alienação fiduciária a segurança jurídica do credor é maior.

Cuidados para não perder a casa

Colocar a casa própria como garantia de uma dívida é muito sério. O diretor-executivo da W1 Finance, Nélio de Oliveira Costa, diz que é preciso fazer uma análise minuciosa da situação financeira da pessoa.

"Verificamos antes se o cliente vai ter condições de pagar as parcelas, sem o risco de perder sua casa", afirma. 

Para isso, é fundamental saber por que você se endividou, e se o padrão de vida é compatível com a renda mensal, já que a regra é não entrar num círculo vicioso. "O financiamento vale para organizar descontroles pontuais, momentâneos", declara Costa.

Também vale aqui a velha máxima de que a dívida não poderá comprometer mais do que 30% das receitas mensais ou, se essa relação for maior, o planejamento deverá ser duramente pactuado com toda a família, e os cintos bem apertados.

"Refinanciamento imobiliário é um instrumento muito comum no exterior, concedido a pessoas físicas, mas muito utilizado por pequenos e médios empresários para solucionar urgências. No Brasil, o grande desafio é dar ao instrumento um nome de fácil assimilação pelo público, para que se torne conhecido de todos", avalia o diretor-executivo comercial do Banco Intermedium, Marco Túlio Guimarães.

Esse tipo de empréstimo pode ser conseguido em financeiras e bancos especializados.

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