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China, Egito e Chile retomam importações de carne brasileira

Do UOL, em São Paulo

  • Tarla Wolski/Estadão Conteúdo

    Um ato em defesa da carne brasileira foi organizado por representantes do agronegócio de Santa Catarina, neste sábado (25)

    Um ato em defesa da carne brasileira foi organizado por representantes do agronegócio de Santa Catarina, neste sábado (25)

China, Egito e Chile decidiram neste sábado (25) retomar as importações de carne brasileira depois de terem tomado medidas de suspensão após escândalo deflagrado pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal.

Os países haviam divulgado restrições à carne brasileira após as denúncias da PF sobre supostas propinas pagas para venda de produtos sem inspeção. Agora, os produtos brasileiros poderão voltar a ser importados, com exceção daqueles provenientes dos 21 frigoríficos sob suspeita, cujas licenças de exportação já haviam sido suspensas pelo governo brasileiro.

A China também bloqueará e recolherá do país os produtos cujos certificados foram assinados por sete técnicos investigados na operação Carne Fraca. As importações brasileiras de carne já começaram a ser liberadas em Xangai, afirmou uma fonte ouvida pela Reuters em Pequim.

US$ 690 mi em exportações para o Egito

Em 2016, as importações de carne brasileira pelo Egito somaram US$ 690 milhões, segundo informações do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços). As do Chile, por sua vez, responderam por US$ 441 milhões. 

Em comunicado, o ministério de Agricultura egípcio informou que reabriu o mercado para importações autorizadas de empresas brasileiras, acrescentando que as remessas estariam sujeitas aos controles tanto no Brasil quanto no desembarque no Egito.

No ano passado, a China foi o maior mercado de exportação para a carne brasileira, com compras que somaram US$ 1,75 bilhão. "Nós continuaremos mandando produtos, vendendo sem restrição, com a suspensão das plantas que nós mesmos decidimos aqui até que nós mostremos os nossos controles finais desse assunto com a força tarefa que estamos tendo nesse momento", afirmou o ministro Blairo Maggi.

Reconhecimento

O presidente Michel Temer comemorou, neste sábado, a reabertura dos mercados da China, Chile e Egito às importações de carne brasileira. 

"A decisão do governo da China de reabrir o seu mercado à proteína animal produzida no Brasil é o reconhecimento da confiabilidade de nosso sistema de defesa agropecuária", informou, em nota, após o anúncio da decisão chinesa.

O governo também publicou uma nota sobre a retomada do Egito e do Chile. "Ao agradecer por esse gesto de confiança e amizade, o governo brasileiro renova seu interesse em reforçar ainda mais os laços históricos mantidos com ambos os países e reafirma sua inequívoca disposição em seguir transmitindo a nossos parceiros comerciais ao redor do mundo todas as informações sobre a segurança dos alimentos produzidos no Brasil", informou. 

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Restrições à carne brasileira

Vários países decidiram suspender ou adotar restrições à importação da carne brasileira. Veja as medidas tomadas por cada um até agora:

  • África do Sul: Suspendeu importações de carnes de estabelecimentos com suspeitas de envolvimento em fraudes no Brasil
  • Arábia Saudita: Suspendeu a importação de carne de quatro frigoríficos brasileiros.
  • Argentina: Anunciou que vai aumentar o controle sobre importações da carne brasileira.
  • Argélia: Suspendeu temporariamente a importação de carnes do Brasil.
  • Bahamas: Proibiu a importação de carnes processadas do Brasil, como "precaução", e informou que está em alerta para proteger a população do país.
  • Barbados: Proibiu temporariamente a importação de carne do Brasil e aconselhou mercados a retirarem carnes brasileiras das prateleiras.
  • Catar: Paralisação de desembaraço aduaneiro até validação de testes por amostragem de produtos cárneos.
  • China: Voltou atrás e liberou a importação, com restrições, após suspender na segunda-feira (20) a entrada de carne brasileira no país. A China pediu medidas de segurança mais severas no embarque de alimentos. 
  • Chile: Liberou a entrada da carne brasileira, mas continuarão suspensas as importações advindas das 21 fábricas sob investigação na Carne Fraca
  • Coreia do Sul: Voltou atrás depois de proibir a venda de produtos de frango da BRF, das marcas Sadia e Perdigão. Agora, a venda está liberada e o país asiático vai apenas reforçar a fiscalização. 
  • Egito: Voltou atrás após suspender a importação de carne.
  • Estados Unidos: Aumentou a fiscalização da carne brasileira que chega ao país. Além do procedimento padrão, todas as peças serão analisadas para verificar a possível presença de agentes patogênicos, como a salmonela. Essa verificação não costuma ser aplicada a toda a carga.
  • Hong KongSuspendeu temporariamente a importação de carne bovina congelada e resfriada e de carne de aves.
  • Jamaica: Suspendeu a importação de toda a carne brasileira, orientou a população a não consumir o produto e ordenou que supermercados o retirem das prateleiras.
  • Japão: Suspendeu importações de frango e outros produtos das 21 empresas citadas na Operação.
  • México: Suspendeu importações de produtos pecuários brasileiros. O México não importa carne bovina ou de porco do Brasil, mas compra produtos avícolas como carne refrigerada, congelada e desidratada de frango e de peru, ovo fértil e aves domésticas.
  • Panamá: Suspensão temporária de carne processada.
  • Suíça: Suspendeu a importação de carne brasileira proveniente de 21 frigoríficos. 
  • Trinidad e Tobago: Suspensão temporária com recall de produtos no mercado interno de carne processada.
  • União Europeia: Está monitorando as importações e vai impedir a entrada de produtos de empresas investigadas. Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o bloco já vetou a importação de uma unidade da BRF e outra da Peccin. O ministério da Agricultura ainda não foi comunicado oficialmente.

Carne estragada

A operação da Polícia Federal revelou um esquema de pagamento de propina a fiscais agropecuários para liberar carnes adulteradas sem fiscalização.

Segundo a PF, as empresas teriam usado substâncias para 'mascarar' a aparência de carnes podres, utilizado carne estragada e papelão na composição de salsichas e linguiças, cometido irregularidades na rotulagem e na refrigeração das peças e usado em frangos mais água que o permitido em frangos. 

Lista de frigoríficos

O Ministério da Agricultura divulgou a lista de países que importaram produtos dos estabelecimentos investigados pela PF nos últimos 60 dias. O levantamento mostra que são 33 os países ou blocos que receberam carnes, miúdos e até mel e própolis produzidos pelas empresas acusadas de envolvimento no esquema.

Entre os destinatários dos produtos suspeitos estão os principais mercados brasileiros: China, União Europeia, Japão e países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Kuwait. A relação mostra os frigoríficos, os produtos exportados e os países de destino.

O setor é um dos principais da economia brasileira, sendo responsável por US$ 12 bilhões em exportações por ano.

(Com agências)

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