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Escola de 1915 ensina caligrafia para melhorar letra de médico e tatuador

Thâmara Kaoru

Do UOL, em São Paulo

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Em tempos de celular, tablet e computador, a escrita está cada vez mais fora de uso. Há quem pense que ninguém mais se importa em ter uma letra bonita, mas os cursos de caligrafia ainda existem e ensinam desde adolescentes com problemas para escrever redação até médicos e tatuadores.

Uma das escolas que oferece esse tipo de curso é a Professor De Franco, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Flávio José De Franco Jr., 59, é advogado e um dos donos da escola.

Segundo ele, o curso de caligrafia começou com seu avô Antonio De Franco, em 1915. Alunos famosos passaram por lá, mas a escola preferiu não citar nomes. Na época, as aulas eram voltadas para quem queria se tornar calígrafo. Hoje, o foco mudou.

Vestibular faz adolescente procurar curso

A escola oferece dois tipos de cursos. Um deles é o de melhoria da letra para alunos a partir dos 11 anos de idade. Do total de matriculados, 80% fazem esse tipo de aperfeiçoamento. A duração do curso é de três meses, e o aluno recebe uma série de exercícios para treinar a escrita.

De acordo com De Franco Jr., nesse módulo inicial, a maioria é composta por adolescentes que fazem provas ilegíveis na escola. "Esse adolescente fica pressionado porque no vestibular ele vai ter que fazer uma redação. Em alguns casos, eles nos procuram depois de um primeiro vestibular malsucedido e percebem que deveriam ter feito o curso antes."

Quem vai prestar concurso também costuma buscar a escola para garantir uma letra legível na redação.

Segundo ele, os três meses são suficientes para que o aluno grave o que foi treinado. "Se ficar pouco tempo, a letra ilegível volta."

Curso artístico é procurado por tatuador

Outro curso disponível é o profissional artístico. Nesse caso, mesmo quem já conhece um pouco de caligrafia precisa passar pelo curso de melhoria da letra para corrigir possíveis vícios na hora de escrever.

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Quem procura as aulas são tatuadores que querem aprender diferentes estilos de letras e aqueles que desejam trabalhar escrevendo em convites de casamento. Há ainda quem queira trabalhar com gravações em joias ou escrevendo títulos de cidadania, diplomas, poemas e até cardápios de restaurante.

Outro público desse curso é formado por médicos e advogados que querem escrever de forma legível. "Eles têm consciência da letra que possuem e querem melhorar. Alguns deles começam o curso de melhoria de letra, gostam e acabam ficando para o profissional."

O professor do curso afirma que, com os avanços tecnológicos, houve uma queda na procura pelo aperfeiçoamento da caligrafia. "Mas ainda existe um segmento forte e que sente a necessidade de fazer o curso", afirma. A escola não informou de quanto foi a queda no número de alunos.

Em busca da letra bonita

A professora de português Tatiana Karpovas, 40, disse que decidiu buscar o curso por considerar sua letra feia. "Minha letra era bonita antes. Hoje em dia usamos muito o computador para tudo. Acredito que todo mundo acaba ficando com a letra feia. Muita gente não se importa, mas eu comecei a ficar incomodada com isso."

Ela iniciou o curso no ano passado apenas para se aprimorar, mas decidiu ficar para o módulo artístico. "Já estava trabalhando em escola e precisava melhorar a letra. Agora é quase uma terapia. Você vai se incentivando em ver a letra bonita."

Já a estudante de direito Marianna Trona, 18, decidiu fazer o curso neste ano por hobby. Ela afirma que já tinha uma letra bonita, mas quis se aperfeiçoar. "É prazeroso e também é uma maneira de aliviar a mente. Foi a primeira coisa que fiz após sair do vestibular. É satisfatório."

Ela afirma que está terminando o curso de aperfeiçoamento de letra e pensa em fazer o artístico.

Postura correta e posição certa da folha são ensinadas

Logo no primeiro dia, os alunos devem copiar um texto de 30 linhas para fazer uma comparação de como era a letra antes do curso e após os três meses. De Franco Jr. afirma que os alunos aprendem a postura correta para escrever e a posição certa da folha e dos braços, por exemplo.

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Os alunos escolhem quantas vezes por semana vão à escola e levam para casa exercícios como copiar frases em folhas pautadas. Nas aulas presenciais, os exercícios são corrigidos. "Não adianta só treinar se não tiver uma correção profissional." A escola tem dois professores: De Franco Jr. e seu sobrinho Antonio Ramondetti De Franco, 32.

A escola possui, em média, cem alunos. Porém, como o curso de aperfeiçoamento de letra é curto, a rotatividade de estudantes é alta.

O curso sai por R$ 340 nos três primeiros meses. Já o artístico, a partir do quarto mês e com duração total de sete meses, fica com mensalidade de R$ 390. O valor inclui as aulas presenciais e o material. Os alunos não pagam matrícula.

Quem preferir pode fazer o curso a distância. A escola envia o material pelos Correios, inclusive com as orientações sobre a forma correta de escrever. O aluno faz o exercício e encaminha por correspondência para o professor. Ele, por sua vez, faz a correção e envia as observações para o estudante. 

Por causa desse processo, o curso a distância é mais longo. O primeiro módulo tem duração de cinco meses e sai por R$ 290 mensais. O artístico dura dez meses, e a mensalidade fica em R$ 340.

A expectativa é de que até o final do ano a escola também ofereça um curso online.

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