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82% da riqueza gerada entre 2016 e 2017 ficou com o 1% mais rico, diz ONG

Do UOL, em São Paulo

22/01/2018 00h00

O abismo entre os maiores bilionários do planeta e a fatia mais pobre da população continua aumentando, segundo relatório da ONG Oxfam Brasil, que tem o propósito de combater a desigualdade e a pobreza.

De acordo com o levantamento, 82% de toda a riqueza mundial gerada entre setembro de 2016 e setembro de 2017 ficou nas mãos do 1% mais rico da população, enquanto a metade mais pobre do globo, que equivale a 3,7 bilhões de pessoas, não foi beneficiada com nenhum aumento.

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O relatório, chamado “Recompensem o trabalho, não a riqueza”, foi elaborado para ser divulgado na abertura do Fórum Econômico Mundial, que começa nesta terça-feira (23), em Davos, na Suíça. O estudo usa dados de instituições como a OIT (Organização Internacional do Trabalho), Banco Mundial, o banco Credit Suisse e a revista "Forbes".

Número recorde de bilionários

A Oxfam lembra que a "Forbes" registrou o maior número de bilionários em 2017 desde que começou a fazer sua lista anual, chegando a 2.043. Também foi o maior aumento do número de bilionários de um ano para o outro de acordo com a ONG, com um novo bilionário a cada dois dias.

O relatório ainda aponta que a riqueza dos bilionários cresceu 11% ao ano desde 2010, enquanto os salários aumentaram, na média, 2% a cada ano.

No Brasil, o número de bilionários também cresceu, passando de 31 para 43. Hoje, cinco bilionários brasileiros têm patrimônio equivalente ao da metade mais pobre da população do país.

O patrimônio dos bilionários brasileiros cresceu 13% em relação ao ano anterior, de acordo com a ONG. Ao mesmo tempo, a fatia da renda nacional da metade mais pobre caiu de 2,7% para 2%.

Riqueza não vem só do trabalho, diz ONG

A Oxfam afirma que há evidências de que "talento, esforço e disposição de assumir riscos" dos bilionários não são as principais causas da grande concentração de renda na mão dessas poucas pessoas.

Segundo seus cálculos, dois terços dessas fortunas são consequências de heranças, monopólios (que "alimentam retornos excessivos para proprietários e acionistas à custa do restante da economia") e clientelismo, ou seja, "a capacidade de interesses privados poderosos de manipular políticas públicas no intuito de consolidar monopólios existentes e criar outros".

Privatizações, recursos naturais concedidos por valores muito abaixo do que seria justo, corrupção nas compras e contratos públicos ou isenções fiscais e brechas jurídicas são todos mecanismos pelos quais interesses privados com relações estreitas com o poder público podem enriquecer à custa do público em geral

Oxfam

Pobreza diminuiu, mas desigualdade não

O Oxfam afirma que o número de pessoas que vivem em pobreza extrema (ou seja, com menos de US$ 1,90 por dia, cerca de R$ 6,10) vem diminuindo nas últimas décadas.

Entre 1990 e 2010, esse número caiu pela metade e continuou em queda desde então. "Essa imensa conquista é algo de que o mundo deve se orgulhar", afirma a ONG.

Ela ressalta, porém, que isso não significou uma queda na desigualdade.

Se a desigualdade nos países não tivesse aumentado ao longo desse período, outras 200 milhões de pessoas teriam saído da pobreza. Esse número poderia ter aumentado para 700 milhões se os pobres tivessem sido mais beneficiados pelo crescimento econômico do que seus concidadãos ricos

Oxfam

Desigualdade das mulheres

Outro fator relacionado com a desigualdade social são as diferenças econômicas entre homens e mulheres no planeta, de acordo com a Oxfam.

Ela afirma que a diferença entre os salários dos dois grupos tem recebido atenção da maioria dos países, mas que a "a diferença de patrimônio de mulheres e de homens é geralmente ainda maior".

Em todo o mundo, mais homens do que mulheres são proprietários de terras, ações de empresas e outros bens de capital; os homens recebem mais para desempenhar as mesmas funções que as mulheres e estão concentrados em empregos de maior remuneração e status social

Oxfam

Além disso, a Oxfam afirma que a prosperidade econômica global depende da "enorme, embora não reconhecida," contribuição das mullheres em serviços não remunerados, como afazeres de casa e cuidados com os filhos.

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