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Caminhoneiros dizem que desconto no diesel alivia, mas não resolve problema

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

  • Téo Takar/UOL

    Reinaldo da Silva mostra quanto gastou de Teixeira de Freitas (BA) a São Paulo (SP)

    Reinaldo da Silva mostra quanto gastou de Teixeira de Freitas (BA) a São Paulo (SP)

Duas noites na estrada, 1.300 quilômetros rodados, três tanques de diesel e 14 pedágios. Esse é o balanço da viagem de Reinaldo Félix da Silva para trazer uma carga de mamão de Teixeira de Freitas, no sul da Bahia, para o Ceagesp, a central de distribuição de frutas, verduras e legumes de São Paulo (SP).

"Olha essas notas. Some aí os valores. Vê se pode uma coisa dessas", afirma Silva, mostrando ao repórter do UOL os recibos dos postos de combustível e dos pedágios da sua viagem enquanto abastecia novamente seu caminhão vermelho na tarde deste sábado (2) no posto Belvedere, na saída do Ceagesp.

O caminhoneiro autônomo de Arapiraca (AL) gastou quase R$ 1.500 de diesel, além de R$ 261 em pedágios. "Um gasto desse para receber só R$ 3.100 de frete." Fazendo as contas, sobraram R$ 1.339 no bolso de Silva.

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Embora a redução de R$ 0,46 no litro do diesel prometida pelo governo aos caminhoneiros esteja em vigor desde sexta-feira (1), Silva conta que não percebeu nenhuma diferença de preço nos postos em que abasteceu desde a Bahia até São Paulo.

"Aqui é o primeiro lugar que eu tô vendo o tal desconto que o governo falou. Olha aí (nos recibos) os preços que eu paguei", diz o caminhoneiro.

No posto Jaqueira, localizado na BR-101, em Anchieta (ES), Silva pagou R$ 4,25 por litro do diesel na sexta-feira (1). O posto Lampião, na BR-393, em Sapucaia (RJ), cobrou R$ 3,85 pelo combustível. Em São Paulo, o posto Belvedere, na saída do Ceagesp, vendia o diesel comum por R$ 3,28 neste sábado (2).

Téo Takar/UOL
Caminhão-tanque descarrega combustível em posto da zona oeste de São Paulo

R$ 0,46 não resolve o problema, dizem caminhoneiros

A redução de R$ 0,46 no litro do diesel prometida pelo governo traz alívio, mas está longe de resolver o problema do valor baixo dos fretes, segundo os caminhoneiros ouvidos pelo UOL.

"Rapaz, alivia mas não resolve não. Eu ainda tô trabalhando no vermelho. Só tá dando pra comer e manter a família com sacrifício. Para trabalhar bem, poder cuidar do caminhão, comprar um pneu novo, o diesel tinha que cair para uns R$ 2,70, R$ 2,80", afirmou Silva, enquanto abastecia no posto na saída do Ceagesp.

No posto da Rede Papa, localizado na marginal Tietê próximo da ponte da rodovia Anhanguera, um grupo de caminhoneiros colocava a conversa em dia enquanto um caminhão-tanque descarregava diesel.

O posto estava sem combustível até o início da tarde deste sábado (2). Tão logo, as bombas foram reabastecidas, os frentistas começaram a oferecer diesel aditivado (S10) a R$ 3,24 o litro, já com o desconto de R$ 0,46 em relação ao valor praticado antes da greve dos caminhoneiros.

"Tinha que cair abaixo de R$ 3,00. No começo do ano, a gente estava pagando R$ 2,80 no litro. Subiu quase R$ 1,00 em apenas cinco meses", diz Daniel Pereira, que transporta alimentos para uma rede de supermercados de São Paulo.

"O diesel estava subindo quase todo dia, enquanto o frete só aumenta praticamente uma vez por ano. As empresas alegam que não conseguem acompanhar esse ritmo frequente de reajustes, e ainda mais desse tamanho", afirmou Jemerson José de Souza, que dirige um caminhão de laticínios.

Dentre os caminhoneiros ouvidos pela reportagem, Gilson João era o único que estava despreocupado em relação ao preço do diesel. "O caminhão é da firma. Eu nem vejo o valor (do combustível). O patrão é quem paga", disse João, enquanto abastecia o veículo de uma distribuidora de cebola, alho e batata no posto Cisne Branco, em frente ao Ceagesp.

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