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Pepino e leite condensado no perfume? Segundo inteligência artificial, sim

Getty Images
Imagem: Getty Images

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/11/2018 04h00

A nova expressão da moda em lançamentos de produtos e campanhas publicitárias é "inteligência artificial". Na verdade, a IA (na sigla mais utilizada) já está há tempo entre nós. No seu email, ela decide quais mensagens são spam. Também está presente quando o algoritmo do Netflix indica filmes e séries para você assistir, ou quando a Amazon sugere livros que você vai querer ler. Ou, ainda, quando o Waze o ajuda a pegar menos trânsito.

Agora, ela também está sendo usada para desenvolver novos produtos. O Boticário, por exemplo, anunciou recentemente a criação de fragrâncias desenvolvidas com a ajuda de inteligência artificial. Foram criadas duas fragrâncias, que levam até mesmo pepino e leite condensado, mas os nomes e detalhes dos novos produtos só serão revelados no meio de 2019 (veja mais abaixo).

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iPhone mais rápido, Walmart 'laboratório'

Hoje, a IA trabalha principalmente com os dados que as pessoas já fornecem às empresas, segundo Alessandro Cauduro, fundador da agência W3haus e CEO do estúdio de tecnologia Huia. "Olhar para estes dados e aprender algo já é inteligência", disse. Uma tendência, segundo ele, é usar a IA para aprimorar seus produtos.

O iPhone X, da Apple, por exemplo, possui um chip específico para acelerar o processamento de dados baseado em localização e horário.

O Walmart, um dos maiores varejistas do mundo, montou em 2017 uma equipe focada em reinventar a experiência de compra usando inovações tecnológicas. Uma pequena loja da rede em Nova York, nos Estados Unidos, deve virar um "laboratório de varejo inteligente": os funcionários serão avisados rapidamente se um produto está em falta, se algo quebrou e até se faltam carrinhos na entrada da loja.

Alguma lojas têm investido em IA para transformar ambientes de duas dimensões em 3D e assim evitar que o cliente fique na dúvida sobre se vale a pena comprar o produto ou não.

Pedir pizza pela TV

Um exemplo destas empresas que já contam com a inteligência artificial em seus produtos é a LG. A inteligência artificial está presente em produtos da marca como televisores, celulares, refrigeradores e aparelhos de ar-condicionado, por exemplo.

Neste ano, a fabricante anunciou sua plataforma ThinQ, interface de inteligência artificial que conecta TVs e outros eletrodomésticos e permite que o consumidor controle os produtos por comando de voz.

Na prática, significa que você poderá falar para sua TV ligar ou desligar seu ar-condicionado, mostrar o resultado de um jogo ou até pedir uma pizza. Também poderá pedir para que seu forno seja aquecido sem usar as mãos. O refrigerador vai avisar se algum tipo de comida está faltando ou se está perto de vencer, e poderá exibir receitas.

"A tendência é que a LG possa expandir o portfólio de produtos com recurso de inteligência artificial, com mais tecnologia embutida", declarou Barbara Toscano, diretora de Marketing da LG Electronics do Brasil.

Perfume e robôs

O Boticário, por sua vez, passou informações sobre que tipo de produto gostaria para a casa de fragrâncias alemã Symrise Sciente & Care. A alemã utilizou a tecnologia da Phylira, solução de IA desenvolvida pela IBM Research, para examinar milhões de fórmulas e milhares de ingredientes que identificassem padrões e novas combinações.

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"Um assistente de inteligência artificial não consegue cheirar uma fragrância. Mas o sistema é capaz de filtrar centenas de milhares de fórmulas e milhares de matérias-primas, ajudando a identificar padrões e novas combinações, alinhadas às preferências das pessoas", disse Richard Goodwin, cientista da IBM.

Assista ao vídeo sobre o uso de inteligência artificial para desenvolver perfumes:

Nesse caso, ingredientes que não são tão comuns acabaram entrando na fórmula, como pepino e leite condensado.

"Essa é a inovação mais disruptiva que conheço dentro deste campo desde a criação dos ingredientes sintéticos. A inteligência artificial pode combinar ingredientes não tão usuais, além de aumentar exponencialmente o número de combinações e mapear diferenças no portfólio de produtos", declarou Tiago Martinello, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Boticário.

O desenvolvimento de um novo perfume dura, normalmente, três anos. Com a IA, esse tempo pode ser reduzido a seis meses.

Carro autônomo e autodidata

A inteligência artificial foi um dos destaques do Web Summit, maior conferência de tecnologia e inovação realizada na Europa, que aconteceu em Lisboa (Portugal) no começo de novembro. Cerca de 70 mil pessoas participaram do evento.

“Uma maior rapidez no atendimento ao consumidor e a gestão de negócios, que envolve a definição de preço, distribuição e controle de estoque, estão em alta”, afirmou a publicitária Carol Santos, diretora de Inteligência de Dados da agência Africa.

Além das gigantes de tecnologia, como Amazon e Google, também se destacaram no evento deste ano empresas menores, que estão oferecendo soluções para outros assuntos.

“A Builder, por exemplo, cria aplicativos mobile a partir de uma linha de montagem que combina inteligência artificial com equipes de designers e desenvolvedores de todo o mundo. Os projetos personalizados ficam pronto na metade do tempo e com um terço do custo do desenvolvimento de software tradicional”, disse.

Outro exemplo é a Wayve, uma startup que usa inteligência artificial para aprimorar o ensino a veículos autônomos. A ideia é que eles aprendam e tomem as próprias decisões baseados no que veem, não em padrões predefinidos, como acontece atualmente. Desta forma, os carros aprenderiam, em tempo recorde, a andar em lugares que nunca estiveram antes.

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