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Gillette discute mudança de comportamento dos homens --e é alvo de críticas

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/01/2019 16h51Atualizada em 18/01/2019 15h20

A Gillette, marca de cuidados masculinos da P&G, está sofrendo críticas à sua nova campanha, "The Best Men Can Be" ("O Melhor que os homens podem ser", em tradução livre). Na iniciativa, a marca pretende discutir uma mudança de comportamento dos homens em relação à "masculinidade tóxica" --com situações que envolvem machismo, bullying e assédio sexual.

O filme mostra homens encorajados a mudar suas atitudes para contribuir para a formação de uma geração mais consciente. "Não podemos nos esconder. Está acontecendo há muito tempo. Não podemos mais rir disso, dando as mesmas desculpas", diz um trecho filme. 

A ação celebra o aniversário de 30 anos do slogan "The Best a Men Can Get" ("O Melhor que um homem pode conseguir"), lançado em 1989. 

Confira o comercial (em inglês):

Veja o comercial "The Best Men Can Be", da Gillette

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Com mais de 3,5 milhões de visualizações no YouTube, o filme tem recebido comentários negativos --e até ameaças de boicote por parte de alguns consumidores. Até a tarde desta terça-feira (15), o filme contava com 75 mil "gostei" contra 330 mil "não gostei" na plataforma de compartilhamento de vídeos.

"Já esperávamos um debate. A discussão é necessária. Para cada reação negativa, temos visto muitas reações positivas. Pessoas chamando o esforço de corajoso, inteligente e necessário. No fim das contas, o que importa são as conversas que geram faíscas. Isso faz com que as pessoas prestem atenção ao que falamos", disse um porta-voz da empresa à rede CNBC.

Campanha envolve doações

O site da iniciativa afirma que parte da campanha envolverá a doação de US$ 3 milhões, pelos próximos três anos, para ONGs norte-americanas que buscam inspirar, educar e ajudar homens a alcançar seus interesses pessoais e tornarem-se modelos para as próximas gerações.

"É hora de reconhecer que as marcas desempenham um papel na influência da cultura. E como uma empresa que incentiva os homens a serem melhores, temos a responsabilidade de garantir que estamos promovendo versões positivas, inclusivas e saudáveis do que significa ser um homem. Muitos se encontram em uma encruzilhada, presos entre o passado e uma nova era de masculinidade. Embora esteja claro que mudanças são necessárias, é menos óbvio onde e como podemos começar a fazer isso", afirma a empresa, no site.

Referência a campanha contra abusos sexuais

O comercial promove uma referência ao #MeToo (#EuTambém), movimento que denunciou centenas de casos de assédio dentro da indústria cinematográfica e fez com que mais personalidades apontassem casos de violência e abuso sexual no mundo todo.

Segundo a consultoria Temin and Company, de Nova York (EUA), o movimento havia gerado mais de 400 acusações de assédio sexual ou conduta indevida contra executivos e funcionários de empresas dos Estados Unidos até junho do ano passado.

Um estudo recente da instituição britânica The Fawcett Society, por sua vez, apontou que 53% das pessoas mudaram de ideia sobre comportamentos que eram considerados "aceitáveis" e hoje são tidos como abusivos. A pesquisa apontou que pessoas entre 18 e 34 anos são as que mais disseram estarem propensas a denunciar abusos, incluindo 58% dos homens.

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