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"Não me incomodo se é de direita ou esquerda", diz Lemann sobre bolsistas

O investidor Jorge Paulo Lemann, segundo homem mais rico do Brasil, em evento da XP Investimentos  - Divulgação
O investidor Jorge Paulo Lemann, segundo homem mais rico do Brasil, em evento da XP Investimentos Imagem: Divulgação

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/07/2019 12h20

Jorge Paulo Lemann, segundo homem mais rico do Brasil, afirmou que não diferencia os bolsistas de suas fundações pelo posicionamento político: procura por pessoas competentes.

Em evento voltado ao mercado financeiro hoje em São Paulo, o megainvestidor por trás da Ambev pregou a união nacional e falou que só a educação pode mudar o Brasil.

"Tenho dado [as bolsas] pra gente que quer voltar para o serviço público brasileiro", declarou o megainvestidor. "Não me incomodo se ele é de direita, esquerda, se ele é bom, acho ótimo que ele volte pra cá."

Há quase vinte anos o bilionário cede bolsas para brasileiros em algumas das melhores universidades do mundo, como Harvard e Columbia, por meio das fundações Lemann e Estudar. Atualmente, segundo Lemann, são mais de 500 ex-bolsistas.

O investimento tem dado resultado: hoje o Congresso Nacional tem cinco Lemann fellows, como são chamados os bolsistas provenientes da sua fundação.

Em coerência com sua fala, a "bancada Lemann" não tem uma ideologia específica: do PDT ao Novo, todos legislam na área de educação.

"Só através da educação você vai melhorar a desigualdade brasileira. [Este problema] afeta a política, afeta a democracia", declarou o investidor. "Da minha maneira pequena, tento melhorar a educação [no Brasil], a maneira do ensino."

Para o bilionário, o país deveria seguir o molde de Singapura. A pequena nação asiática é hoje um dos maiores focos de investimento e criação de startups no mundo. Não é fácil, ele avalia, mas acredita que o caminho seja pela união.

"Da mesma maneira que todos meus negócios foram baseados em atrair gente boa, competente, e tentar fazer eles trabalharem juntos, acho que o Brasil precisa de mais gente que queira resolver os assuntos pendentes pragmaticamente e não ficar essa confusão que começou aqui, em que todo mundo joga pedra um no outro e pouca gente quer construir", declarou o investidor em um bate-papo com Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos, promotora do evento.

Em busca de investimentos

Não é só de novos bolsistas que Lemann está atrás. O bilionário, sócio da 3G Capital, empresa acionária de gigantes como Ambev e Burger King, falou que está procurando novos mercados para investir. Segundo ele, apostar alto no mercado de comida, como fez com a Kraf Heinz, foi um deslize.

Junto à Berkshire Hathaway, empresa de investimentos de Warren Buffett, a 3G Capital comprou a Kraft Foods em 2015 e, na sequência, a fundiu com a Heinz, em um negócio de US$ 62 bilhões. O conglomerado, desde então, tem apresentado prejuízo.

"Tínhamos um sonho de construir o que fizemos em cerveja na área de comida com a Kraft Heinz", afirmou Lemann, ao se referir à Anheuser-Busch InBev, maior conglomerado de cerveja do mundo, controlado pela 3G.

"Mas o sonho não andou conosco. Então, estamos consertando. Não é possível construir algo tão grande, mas há cinco, seis anos atrás não sabíamos disso."

Agora, diz o investidor, ele está de olho em novos mercados, como de tecnologia. "A 3G tem um fundo captado de US$ 10 bilhões e tá procurando coisas. O plano anterior era acoplar alguma coisa no império de comida, mas não andou, não vai andar. Então, a gente está olhando as coisas", declarou Lemann.

"Há um ano e pouco, eu me autointitulei um dinossauro apavorado, agora sou um dinossauro se mexendo", brincou o bilionário.

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