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Filha de sócio da Telexfree é acusada de lavar dinheiro em imóveis nos EUA

Lucas Gabriel Marins

Colaboração para o UOL, em Curitiba

04/12/2019 17h30

O MPF (Ministério Público Federal) acusou Priscila Freitas Costa, filha de um dos sócios da Telexfree —empresa apontada como uma pirâmide financeira— de lavar dinheiro nos Estados Unidos, onde ela mora. Segundo o MPF, no começo de 2013, ela teria comprado dez apartamentos no estado americano da Flórida por US$ 730 mil (cerca de R$ 3 milhões na cotação atual).

De acordo com a denúncia, os imóveis ficam no condomínio "The Beverly Condominium Association Inc.", em Pompano Beach, a cerca de 60 quilômetros de Miami. Segundo a reportagem apurou, os apartamentos ficam em prédios simples, de quatro andares, a cerca de 11 km da orla, avaliados em cerca de US$ 80 mil cada.

A denúncia oferecida pelo MPF, desmembrada de outro processo contra a Telexfree, foi aceita pela Justiça no início deste ano. Ainda não há sentença. O processo corre na 1ª Vara Federal Criminal do Espírito Santo.

Defesa diz que faltam indícios

O UOL entrou em contato com o escritório de advocacia Figueiredo & Velloso, responsável por defender a acusada, mas até a publicação desta reportagem não teve resposta.

Nos autos do processo, a defesa alega que "falta indícios de autoria e materialidade" do crime de lavagem de dinheiro, e diz que Priscila não poderia ser culpada, pois "sempre acreditou na licitude da atividade desenvolvida pelo seu pai".

Recursos enviados de forma ilegal

Segundo o MPF, os apartamentos foram comprados com recursos enviados de forma ilegal do Brasil para os EUA, sem registro da operação no sistema o Banco Central. Nenhum dos imóveis foi declarado à Receita Federal.

"A denunciada Priscila Freitas Costa conscientemente recebeu, nos Estados Unidos da América, disponibilidade financeira ilegalmente remetida por Carlos Roberto Costa [seu pai] através de Carlos Nataniel Wanzeler [outro sócio da Telexfree] e operacionalizada por Lyvia Mara Campista Wanzeler [filha de Nataniel Wanzeler]", diz trecho da denúncia.

De acordo com o MPF, o sistema de operações da Telexfree foi usada para fazer a transferência ilegal dos valores, sem precisar de intermédio de instituição financeira nos dois países, e sem a necessidade de identificar a origem do dinheiro ou os favorecidos.

Segundo a denúncia, no Brasil, Carlos Roberto Costa, pai de Priscila, e seu sócio, Carlos Nataniel Wanzeler, depositavam os créditos da Telexfree nas "contas-login" (no sistema da Telexfree) de Priscila e sua mãe, Esdras Maria Freitas Costa, ambas residentes nos EUA. Esses créditos eram convertidos em dólares e movimentados nos EUA.

A operacionalização também contou com a ajuda de Lyvia Mara Campista Wanzeler, filha de Nataniel Wanzeler, segundo a denúncia. Os outros envolvidos na operação, apesar de citados pelo MPF, não foram denunciados nesse momento porque, segundo o órgão, a investigação é complexa e a atuação de cada um precisa ser analisada de forma individualizada.

Juiz rejeitou alegações iniciais da defesa

O juiz Vitor Berger Coelho, que analisou as justificativas iniciais da defesa, rejeitou as alegações. Segundo o magistrado, a atuação de Priscila foi sustentada em diálogos colhidos regularmente durante as apurações do MPF e no inquérito policial aberto para investigar o caso.

"A denúncia está calcada em indícios suficientes de materialidade e autoria delitiva, colhidos no bojo de consistente investigação e mediante autorização judicial para medidas cautelares. E o MPF delineou o suposto comportamento criminoso da ré, tendo o cuidado de indicar, durante seu discurso acusatório, elementos probatórios que situam a réu dentro do contexto fático delituoso", diz Coelho nos autos.

Acusada de pirâmide financeira

A Telexfree começou a atuar no Brasil em 2012 vendendo pacotes de telefonia via internet (VoIP). Em 2015, a Justiça do Acre apontou a empresa como uma pirâmide financeira. Neste ano, a Justiça do Espírito Santo decretou a falência do negócio. A dívida é de R$ 2 bilhões e o número de vítimas passa de 1 milhão.